No solene momento em que Costa se retira da CML, há que prestar-lhe a devida homenagem, sobretudo no plano musical. É que, à semelhança de Luísa Todi, no canto, ou de Viana da Motta, no piano, o nosso homem merece todas as distinções no que ao assobio aéreo diz respeito. Este ramo das artes musicais foi reabilitado com mestria pelo “candidato” a Primeiro-Ministro. Ao longo do tempo, tem prestado altos serviços à cultura pátria através de inúmeros trinados assobiativos virados para as alturas.
Eis alguns exemplos:
– Quando se fala nas centenas de milhões que pôs a Câmara a dever ao Névoa, o assobio é em dó menor;
– Quando os joelhos das criancinhas se rasgam no famoso piso do Terreiro do Paço, a melodia é de um stacato digno do melhor barroco;
– Quando alguém lembra o estado do Parque Mayer e de Entrecampos, os ornitológicos dotes do homem, ares fora, trinam com encanto;
– Quando se trata do 44, aí, é um nunca acabar de trinados quase sinfónicos, o virtuosismo atinge as raias do génio, desta feita pianissimo, à cause des mouches;
– Falando-se do desastre da Ilha da Madeira, céus!, estremecem as núvens com a canora flauta dos grossos lábios.
Registe-se, com inteira justiça, o contributo musical deste poderoso ex-autarca, e imagine-se o que sucederá lá pelas europas, quando (t’arrenego!) ele desatar aos assobios.
2.4.15

Deixe um comentário