Este nosso recém conhecido, dado às luzes do mundo pelo inefável Louçã e por essa catequista do socialismo que manda no jornal “Público”, teve, em pouco tempo, uma data de títulos. Já foi “deputado europeu do Bloco de Esquerda”, “deputado europeu” sem Bloco de Esquerda, “Historiador”, “dirigente do Livre”… Não sei se se atribuíu mais alguma “profissão”, mas talvez não lhe ficasse mal “propagandista do Syriza” ou, por exemplo, “pretendente a salvador da esquerda”, “aspirante a um lugarzinho no PS”, ou outros qualificativos igualmente justos.
Os nomes interessam menos que quem os usa, ainda que se auto classifique ao usá-los. Este Tavares tornou-se político, como acima disse, pela mão do Louçã, que o fez assentar praça em general, quer dizer em Estrasburgo e Bruxelas. Isto permitiu-lhe propagandear inúmeras viagens, presenças em variegados aeroportos, escrever crónicas sobre diversas civilizações, sempre com a ajuda da tal senhora do “Público”, muito interessada em ajudá-lo com espaço e umas massitas que fazem muito jeito, sobretudo depois de ter chegado ao fim o eurotacho. A certa altura do seu brilhante percurso, o nosso homem zangou-se com o Louçã e acabou o namoro. Esperava, coitado do Louçã, que ele, abandonado o barco, voltasse para casa. Nem pensar! O Louçã pensava que o lugar era do Bloco, o Tavares disse que não. Ele foi eleito! Antes de o Louçã o ir buscar ninguém sabia quem ele era, mas a moral da esquerda republicana e socialista é mais forte que a lógica das coisas, isto é, morder na mão do dono deve fazer parte do catecismo em vigor.
Foi pós esta demonstração de honradez que o Tavares deixou de se declarar do Bloco, para passar a assinar só “deputado Europeu”. Percebeu que a consideração pública que ganhara era igual a zero, mas conveniências são conveniências e o tipo tinha que aproveitar o conhecimento público que tinha ganho à pala do Louçã. Lá ficou pela estranja até acabar o mandato e, pela estrada aberta pela fulana do “Público”, começou a “construir a alternativa”, ou seja, a tratar da vidinha. Não é o que quase todos andam a fazer?
Tudo isto seria, helas!, “perdoável”, não fora a súbito proselitismo “moral” a que o homem se agora se dedica.
Ignorando que toda a gente lhe conhece o currículo político (não se sabe se tem outro), este torquemadazinho da porcalhota vem, do alto da belmírica tribuna, acusar Passos Coelho de “inversão moral”(!?): atrasou-se a pagar sobre verbas recebidas de fundos europeus para pagamento de “nada de especial”. E o que o Tavares recebeu do Parlamento europeu por um cargo a que não tinha qualquer direito substantivo e que foram, de longe, bem mais chorudos do que Passos jamais terá recebido e cujos impostos estão pagos? Terá feito alguma “coisa de especial”, para além de trair quem o promoveu? Como é que este badameco se atreve a prègar moral para consumo das massas?
É o que está a dar, não é? Para gente do nível mental e ético do Tavares, é o que interessa. Não foi este tão sério político/comentador quem, quando, depois de desbragada propaganda, o Syriza começou a levar para trás, achou que era tudo uma grande vitória? Transformar a mentira em verdade não é, afinal, demonstração clara do que é a moral republicana e socialista de alto nível?
9.3.15
António Borges de Carvalho

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