IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MAMARRACHISMO (à atenção de Carlos Carreiras)

Há uma data de anos, ao pé da estação de Cascais, brilha um mamarracho inacabado. Como é de timbre, a municipal burocracia licenciou, deslicenciou, tornou a licenciar, mais andar menos andar, mais papel menos papel, mais técnico menos técnico, mais regulamento menos regulamento, mais vereador menos vereador, enfim, um daqueles processos só imagináveis por loucos, mas que tão comuns são na nossa terra. Finalmente, para ajudar a distinta Câmara, parece que o construtor, ou o promotor, ou alguém, foi à falência. Orgulhoso, o mamarracho foi resistindo. Quatro anos depois – só quatro anos! – a autarquia resolveu demolir a coisa e encarregar o povoléu de dizer o que quer que lá se ponha. É a “democracia” directa, muito útil para desacreditar a outra. Nos jornais, pululam já os mais rasgados elogios à corajosa atitude da autarquia.

O IRRITADO está de acordo. Seja demolido o monstro. Não se sabe se, depois de pronto, seria tão monstro como isso. Dê-se esta asserção de barato. Muito bem, venha o camartelo, que já não é sem tempo.

Nesta matéria, talvez fosse de pedir alguma coerência ao simpático município. Para tal, conviria dar o mesmo destimo, por exemplo, às novas instalações da Polícia, mamarracho bem pior que o tal do largo da estação: uma caixa de fósforos colossal, colocada a 30 centímetros da faixa de rodagem, forrada de azulejos que nem o urinol da mais porca tasca aceitaria, completamente desinserida da paisagem urbana que a rodeia, uma miséria. Ainda por cima, leu-se não sei onde que as autoridades locais vão adquirir um palácio, salvo erro em Carcavelos, para alojamento da PSP. Então, e o mamarracho? O povo gosta? O povo não é chamado a pronunciar-se? A Câmara não faz nada?

Já agora, e o musseque (nome gentilmente dado pelo tal povo ao crime urbano que são os caixotes negros atravancados no nobre sítio onde um dia esteve o Estoril Sol)? Não merecem demolição? Merecem pois. Só que… só que, nada, estão ali para ficar, com grande e municipal orgulho. Nem há moralidade nem comem todos.

 

3.2.15

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “MAMARRACHISMO (à atenção de Carlos Carreiras)”

  1. Moralidade, diz o Irritado. Não deve haver lugarejo ou apeadeiro em Portugal sem o seu mamarracho, pavilhão multiusos, centro recreativo, casa da “cultura”, etc. etc., mais vinte rotundas e trinta estatuetas pagas a peso de ouro. Estranho seria se Cascais fosse excepção. À vontade de “deixar obra” soma-se a fecunda relação com construtoras e empreiteiros… é a obrar que se ganham botinhos, e é a derrapar que se vão juntando carrões e compondo pés-de-meia. Já o musseque, ou Estoril Sol Residence, é de facto extraordinário. É mais que um empreendimento, é um monumento, e não apenas ao desvario arquitectónico e camarário. É um monumento à mama e à corrupção. Generais angolanos, o Sobrinho do BES, cada proprietário é um tratado sobre o tema. Já agora: dar a escolha às pessoas é só “democracia” entre aspas?

  2. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    O “MAMARRACHISMO” que deve ser implodido, por erros graves na estrutura, é o “edifício” construído por Pedro Passos Coelho.

    1. CUSTE O QUE CUSTAR!Toda gente sabe que Passos Coelho ganhou as legislativas mentindo com quantos dentes tinha.Ora, quando em Dezembro de 2010 foi empossado Primeiro Ministro, a divida pública era de 151 mil milhões. Todos os anos foi subindo. De acordo com a Agência de Gestão da Tesouraria da Dívida Pública, em Novembro do ano transacto (014) essa mesma dívida somava a módica quantia de 218 mil milhões. Isto é, aumentou 67 mil milhões.Isto tudo depois de 99% dos Portugueses pagar mais impostos (como nunca), ficarem mais pobres, mais velhos, mais desempregados e mais abandonados.Diz o nosso Primeiro Ministro que é um “homem sério”!Como seria, se não fosse um “homem sério”?

      1. A divida de que Jorge Dinis fala, de 151,000 milhões de euros não incluía os passivos das empresas publicas e parcerias publico privadas, que foram incorporadas à divida, para que esta deixasse de ser enganadora. Quando o governo Sócrates caiu, o País estava em banca rota e foi necessário recorrer à Troika que trouxe 78,000 milhões de euros, também a acrescentar à divida.Faça as contas sem partidarismos, nada saudáveis, e verá que o aumento de 67,000 milhões são na realidade uma diminuição.

        1. Ouve-se muito falar dos 78.000 milhões da Troika, mas – curioso – raramente se ouve falar dos respectivos JUROS. É que os juros eram só 34.500 milhões… eram, não sei quanto são agora, após a fantástica “renegociação” do nosso governo. Mas é certamente um número jeitoso, difícil de esquecer. Para o resto, eis o Eurostat: http://goo.gl/drmLhu Sem partidarismos, o Trafulha enterrou-nos e o Fantoche saqueia-nos. A dívida continua a aumentar, e só pode aumentar, enquanto houver défice, Banca e “mercados”.

          1. ” A dívida… só pode aumentar, enquanto houver défice”Totalmente de acordo.Claro que os juros também contam para aumentar o défice.

          2. Passos Coelho cumpriu as promessas eleitorais?Quanto à questão de 151.000 mil milhões não incluir não incluía os passivos das empresas publicas, que estão agora incluídas, é treta de “desdentado”.

      2. A dívida está pequena. Se somarmos os 150 que herdamos do Pinto de Sousa com os 78 que o mesmo Pinto de Sousa fez com que acrescentássemos, teremos 229. Pelo que a dívida desceu 11. O défice também.

        1. ESqueci-me do que o Pinto de Sousa deixou debaixo do capacho.

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