IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DESORDENS

 

Ontem teve o IRRITADO a desgraça de ouvir a desagradabilíssima criatura que a ilustre classe dos advogados elegeu bastonária da sua ordem. A mulher é uma espécie da passionária (para rimar com bastonária), que vomita as mais inacreditáveis aleivosias contra a ministra da Justiça. Não chegou o triste espectador, sequer, a perceber as razões, porventura ponderosas, que levavam tão horrível harpia a desbocar-se daquela maneira. A saraivada era de tal ordem que a fulana se deve ter esquecido daquilo que, de substancial, a levava a estar tão raivosa, ainda que, como de costume, lhe tivessem dado tempo de antena de sobra.

A locutora da organização televisiva veio em socorro do res+eitável público, esclarecendo que tão rebuscada indignação se devia ao facto de a ministra ter admitido, num papel qualquer, a presença de não advogados nas respectivas firmas. Se é isso, porquê tal e tão grande fúria? Será que as firmas de saúde só podem ter médicos no capital? E as de engenharia só engenheiros? Parece que, no parecer da distinta criatura, o Salvador Caetano – coitado, já lá vai – se quisesse fazer, ou mandar fazer, carroçarias, tinha, pelo menos, que ser especialista em construções metálicas devidamente homologado pela Ordem dos engenheiros. Há raciocínios cuja lógica, por demasiado inteligente, escapa ao pobre bestunto do IRRITADO. Distinta sucessora e seguidora do inacreditável produtor de bojardas que quer ser presidente da República, Màrinho de seu nome, esta autóctone consegue ultrapassá-lo em palavreado verrinoso, o que não é fácil.

Noutra zona do mais activo profissionalismo, temos um tal Silva, também bastonário, desta vez dos médicos. O homem tem uma noção muito especial das suas funções. Confunde ordem com sindicato, faz greves, e dedica-se à boca política em vez de tratar de assuntos deontológicos ou profissionais onde, se tivesse alguma noção do que lhe compete, não lhe faltaria que fazer.

Enfim, parece que as ordens, nesta terra, são mais desordens que outra coisa.

 

30.1.15

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “DESORDENS”

  1. Gostei do título e gostei das analogias que o Sr. Irritado fez. Para sermos justos e agirmos segundo o direito necessitamos do juízo e da analogia, ou seja, fazer de uma determinada maneira e, depois, que todo o grupo faça dessa maneira. Os animais que vivem em grupo fazem-no por instinto. Nós nem conseguimos fazer uma dúzia de indivíduos correr cem metros não tropeçando uns nos outros sem traçar linhas direitas no chão. As analogias do Sr. Irritado são, não digo irrefutáveis , mas de muito difícil contestação. Porquê? Porque existe um vector orientador do raciocínio – a regra – e porque as analogias foram cuidadosas. Só quando utilizarmos os juízos e analogias para avaliarmos os actos da soberania seremos capazes da democracia.Quando o Sr. Filipe Bastos disse que eu estou contra a lei do arrendamento, trata-se de uma afirmação redutora e injusta.A lei do arrendamento urbano depois do 25 de Abril- não adianta fazer analogias entre o antes e o depois que a existência de múltiplas janelas com pedacitos de papel colado nos vidros destruiriam – foi o maior roubo que o povo fez à sua classe média. Eu vi proprietários que andavam a ser roubados serem humilhados nas televisões em frente de batedores de palmas pagos. Classificados de especuladores e parasitas pelos políticos que orientavam esse roubo.Conheço quem tenha recorrido ao seu salário e passado necessidades por ter sido obrigado a investirPara terminar vou apresentar a propriedade de prédios para analogia:Parece que o arguido prisioneiro 44 estaria a preparar a constituição de fundos imobiliários para lá meter imóveis. Compra-se um prédio por 100 mil e fica-se a pagar IMI- Compra-se um prédio po mais de 5 milhões cria-se um fundo e fica-se isento.Conclusão: a classe média continua a ser roubada o estado é tirânico e império de ladrões. Sem uma opinião pública ajuizadora e fazedora de analogias correctas jamais haverá justiça.

  2. Tal como o Sr. Picaroto, também concordo com o post do Irritado. Não ouvi a tal bastonária, mas a conversa dela tresanda a lobby dos advogados, e se há quem não precise de mais lobby neste país – ainda mais que os médicos – são os advogados. Já dominam o Paralamento e todos os conselhos de administração, sobretudo dos mamões, e mesmo nos meus modestos negócios já paguei a advogados dinheiro suficiente para comprar uma boa casa. Fora o que pago, eu e todos nós, pelos “pareceres” e pela “consultoria” em mega-negociatas, geralmente ruinosas para nós, a escritórios como o do Vitorino, do Proença de Carvalho, do Júdice, entre outros chulões. Para o Sr. Picaroto, novamente não lhe retiro razão quanto ao arrendamento; a questão é que é parte interessada, e parece ver apenas o seu lado. Respeito os proprietários que investem, que são sérios e querem ganhar dinheiro como qualquer negócio. Respeito menos os que apenas vivem à conta de heranças. E não respeito nada especuladores, exploradores, e gananciosos em geral, que nada fazem, nada investem, não criam um posto de trabalho, e ainda se queixam. Há inquilinos bons e maus. Reconhecerá que acontece o mesmo do outro lado.

    1. Sr. Filipe Bastos eu não vejo nenhum lado. Eu antes de ver se a parede ou a tábua ou que quer que seja está direito coloco uma régua e peço para espreitar se há frestas ou se está ajustada. Não são apenas os senhorios. Por que se tabela o preço do táxi, se manda o taxista para a cadeia por especulação de tostões enquanto os seus fornecedores de combustível especulam milhões? Há muitos lados!

      1. Aí concordamos, Sr. Picaroto: o Estado e os MAMÕES chulam-nos a todos. Pior, juntam-se para nos chular. No combustível, por exemplo, quanto mais alto o preço mais lucram os mamões, e mais o Estado chula em impostos. E graças ao infame IMI ter casa torna-se um luxo, seja para arrendar ou para habitação própria. Mas os imóveis da Banca estão isentos… tal como os imóveis dos partidos! É assim a “democracia”, Sr. Picaroto, tem de ser assim. A única alternativa a isto, como o Irritado passa a vida a recordar-nos, é uma terrível ditadura…

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