IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


INQUIETAÇÕES

Diz-se que a chuva de dinheiro que o BCE vai injectar se destina a reanimar a economia europeia. Há já larga cópia de teorias sobre o assunto, montanhas de prognósticos, fartura de futurologia, elogios, apupos, incertezas.

Admitamos que se trata de coisa boa: entra dinheiro barato nos bancos, vai haver mais financiamento, ou alavancagem, ou lá o que é. O IRRITADO deseja que assim seja. Mas duvida.

Entre nós o problema já não é o de haver ou não dinheiro para emprestar, mas o de não haver quem o queira. Há que tempos que os bancos anunciam milhões e mais milhões à disposição da economia, quer dizer, das empresas. Mas o crédito concedido é pouco. Porquê? Os juros são mais altos do que deviam? Talvez. O escrutínio das empresas é mais exigente? Sem dúvida. As empresas já estão tão endividadas que hesitam em endividar-se ainda mais num cenário europeu que não é atractivo? Pois é. A burocracia estatal ainda não deu volta que se visse? Evidente. Os tribunais continuam em marcha lenta? Toda a gente sabe.

Não há empresários? Há. Mas a esmagadora maioria são as tão incensadas pequenas e médias empresas que, cada uma, pouco significa no panorama geral, ainda menos no emprego. Os grandes empreendedores são, quase universalmente, alvo da maior das desconfianças: mamões, fascistas, tubarões, o diabo a quatro. Alguns têm fornecido achas para esta fogueira. Outros, causticados pela burocracia e pelos impostos, vão governar-se para outras paragens.

O Estado não investe? Pois não, era o que faltava. O país tem medo das iniciativas do Estado, por regra mal geridas e fundadas em colossais buracos e contratos marados. Em muitas matérias, mais se pode dizer que o Estado é (foi) mais parvo que os privados ladrões. Por outro lado, é evidente que, ou há investimento privado ou a economia não sai da cepa torta. Como por cá, dinheiro próprio é coisa pouca, a grande “esperança” estaria em grandes investimentos estrangeiros. Mas, para além da já referida burocracia, dos tribunais e de outros incentivos negativos, quem quer investir num país onde o PC domina os sindicatos e faz deles autênticas máquinas de destruição económica? Ir às privatizações é uma coisa, criar é outra.

É de temer que a massa do BCE vá direitinha para o consumo.

*

Já agora:

Aqui há dias (o IRRITADO é insuspeito nesta matéria), uma menina do BE, por sinal engraçadinha (não, não é a chefe, é outra) disse coisas que vão no sentido das preocupações do IRRITADO. A miúda, ao que rezam as crónicas, tem origens numa qualquer versão da revolução socialista. Mas é tão inteligente que ainda acaba no PSD.

 

 

25.1.14

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “INQUIETAÇÕES”

  1. Tenho um velho cliente, empresário, que costuma repetir a máxima: “small is beautiful”. Não sei se terá lido o best-seller com o mesmo nome, publicado nos anos 70, mas o que ele quer dizer é: o motor real da economia – e da sociedade – são as micro, pequenas e médias empresas. Partilho dessa visão, e não é apenas por ter uma. As grandes empresas, as Sonaes e Autoeuropas, são inevitáveis e são importantes no contexto global de um país; mas a partir de certa dimensão podem tornar-se contraproducentes. Podem secar tudo à sua volta, como a Sonae ou a Jerónimo Martins fizeram a tantos pequenos negócios, e vão fazendo a tantos produtores. Isto é duplamente verdade nas multinacionais: as Apples e Ikeas que exploram trabalho semi-escravo asiático, enquanto lavam o cérebro à carneirada ocidental. Criam muitos empregos? Criam, mas destroem muitos mais. Já nem falo da canalha financeira, pois nem são negócios, é uma máfia. Pior ainda: passamos a vida a ouvir sobre a economia paralela, o canalizador ou café de esquina que foge aos impostos. Somando todos, dá muito dinheiro. Mas é dinheiro que fica, em boa parte, na economia. Apenas não acaba logo nas garras, perdão, nos cofres do Estado. Com as grandes empresas não é assim. Têm a sede em paraísos fiscais, e elaborados esquemas – com a cumplicidade política – para fugir aos impostos. Nem é “economia paralela”. É tudo legal! E afinal que quer o Irritado, que é um LIBERAL? Mesmo esquecendo os problemas acima, pois finge que não existem, porque louva as grandes empresas e despreza as pequenas? Não são estas o melhor exemplo do liberalismo, da iniciativa privada? Já trabalhou numa Sonae? Eu já trabalhei. Faz-me lembrar a economia planificada: tudo em grupo, tudo em grande. Lavagem cerebral, horários rígidos, tudo controlado, até os tempos livres são organizados pela empresa, a lembrar as colónias de férias das saudosas RDA e URSS… E se acha que o PCP e os sindicatos são o maior obstáculo ao investimento, sugiro que vire o seu computador ao contrário: que diz o selo de fabrico? China ou Taiwan, não é? Ora isso é comunista, não é? Então o motivo deve ser outro… o que será que os “investidores” realmente procuram?

    1. Não sou contra as pequenas e médias, bem pelo contrário. Mas é verdade que, se o são, é porque não conseguem, não sabem ou não lhes interessa ser maiores.V. , que é um tipo inligente e sabe umas coisas, tem o handicap de uma série de preconceitos, todos com alguma base, mas, como os tem em “totalitária” conta, acaba por não ter razão. Dizia o poeta que “a verdade está sempre nos extremos”… mas era poesia.

      1. Disse-me em tempos que os conteúdos deste blog são, em geral, «maximalistas e caricaturais». Quem sou eu para contrariar o espírito do blog, não é?

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