IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM BECO SEM SAÍDA?

 

Aconteceu o que há muito se esperava. O BCE vai despejar por aí uma chuva de notas. Resta saber se serve para alguma coisa, num continente que está economicamente anquilosado, que não sabe para que lado se virar, que já pouco produz de novo ou de único.

O problema não é falta de dinheiro, é falta de produção de bens que se imponham globalmente. O Ocidente em geral e a Europa em particular, ao escancarar fronteiras, não previram ser tão depressa apanhados na sua própria ratoeira. Quer isto dizer que os produtos que, pela sua qualidade, tecnologia, inovação e preço, eram “exclusivos” deste lado do mundo, deixaram de o ser. Há outros a produzi-los mais barato e mais depressa. A fatia de “exclusivo” que resta é cada dia mais fininha. E, como as fronteiras estão abertas, o yuan e outros, por estratégia política, não se valorizam, cada vez há menos para com eles concorrer.

Daqui que só uma série rápida de saltos tecnológicos – será possível? – pudesse recuperar os passos já perdidos. Onde está, para tal, a iniciativa? Quem a vê?

Por tudo isto, é de duvidar que o maná do BCE venha a servir para alguma coisa que não seja recuperar a inflação, aumentar o consumo e meter na cabeça das pessoas que vem aí crédito mais fácil, com a concomitente tentação de, à falta de investimento criador, gastar a manancial fatia tão facilmente como se a obteve.

Do lado de lá do Atlântico, as coisas serão menos feias. Liberdade cambial, investimentos energéticos propriamente ditos (nuclear e xisto), mobilidade laboral, por exemplo, nada têm a ver com uma Europa que, mergulhada em preocupações sobre inexistentes ameaças “planetárias” e tolhida por enganosos conceitos de welfare, se compraz em não baixar os custos de produção. Por isso que os EUA consigam algum crescimento e a Europa não.

Faltam-nos políticos que nos digam a verdade em vez de nos entreter com patacoadas, tipo regionalizações e “direitos fracturantes”.

Enfim, pode ser que um dia… Pode ser, mas não é provável.

 

22.1.15

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “UM BECO SEM SAÍDA?”

  1. http://www.levif.be/info/actualite/economie/le-bien-etre-depend-de-l-egalite-pas-de-la-richesse/article-4000456043990.htm ” Le bien-être dépend de l`égalié pas de la richesse.” O endereço acima leva-o para uma página não encontrada. Tratava-se de um estudo que chegara á conclusão que dá título ao artigo que antes existia nesse endereço. Tenho esse endereço nos favoritos do meu “brower” tal como outros artigos da mesma revista mas esse é o único que já não é possível encontrar. Será que uma revista belga elimina artigos publicados por si própria sobre resultados de estudo que poderão ser considerados subversivos? Ou será acidente? Ou provavelmente artigos que constavam numa ligaçãao à revista são removidos? Se sim porque este e não os outros até mais antigos?

    1. «Liberdade cambial, investimentos energéticos, mobilidade laboral»… Esqueceu-se de dois detalhes: o dólar, sabe, a MOEDA PADRÃO, e a canalha financeira. Risque Wall Street, e veremos o que resta da prosperidade americana. Pode, aliás, fazer a mesma experiência com a City londrina. Os EUA são o maior parasita mundial. Exportam muito, importam muito mais. Só pelos biliões que estouram em guerras criminosas, sem o sagrado dólar estariam falidos há muito. Têm empresas gigantes, mas os seus lucros gigantes vão direitinhos para offshores. É um paraíso… para mamões. O outro lado do paraíso são milhões a viver em carros, na rua, em abrigos. Gente com dois e três empregos, só para pagar contas. Uma sociedade de consumo e desperdício, de carneiros e alienados, de medo permanente e falsa liberdade. Nem se é livre para adoecer. Um amigo meu esteve em Boston no mês passado, e precisou de umas gotas para os olhos. Compra-as em Londres por 15 libras ou assim. Pagou 118 dólares. As companhias de seguros, gloriosas conquistas do capitalismo, decidem quem vive ou morre. Eis a lógica americana, o seu “motto”, o seu contributo filosófico: valemos o que temos. Quem pouco tem, pouco vale. Há que ter sempre mais. Daí a tendência natural – alegremente seguida pelos mamões europeus – de produzir tudo na China. Já viu o absurdo, pagar salários decentes a alguém? E os lucros? E os prémios dos gestores? Recomendo o comentário acima deste… o Irritado até domina Francês.

  2. P.S. Por lapso respondi ao comentário acima, a resposta era para o Irritado.

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