O buraco informático em que os técnicos mergulharam a Justiça tem efeitos verdadeiramente dignos de nota. Não, não estou a pensar nos atrasos acrescidos na administração da dita, não estou a lamentar a sorte de tanta gente que, de repente, teve que voltar ao papel e ao correio, o que dá imenso trabalho. Nada disso.
O importante é que, ao fim de tantos anos em que este mundo e o outro se andam a queixar amargamente dos atrasos na Justiça, dos processos que levam vinte anos, das prescrições, etc., se descobriu, finalmente, a razão de tudo isto.
A culpa não é dos juízes, nem dos advogados, ainda menos dos funcionários, coitadinhos, nem dos procuradores, nem das instalações, nem da confusão das leis. Nada disso. Segundo as mais altas figuras dos tribunais, dos sindicatos da especialidade, dos advogados e da chefe deles (parece impossível!), daquele tipo do PC que manda nos escriturários, tudo minha gente concluiu que a culpa é da ministra, a qual não passa de um vírus que, para prejudicar a Justiça, para mostrar a insensibilidade social que a caracteriza, entrou no sistema e o arruinou. Esta, meus senhores, é que é a verdade! Cada segundo de paragem do sistema acarretará meses e meses, até anos, de irrecuperáveis atrasos.
Mas o problema tem solução: corre-se com a ministra e os computadores voltam a funcionar. O pior é as décadas de atrasos que os senhores juízes & Cª terão que suportar.
5.10.14
António Borges de Carvalho

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