Não sei se têm reparado que o jornal do amigo Oliveira e, ao que parece, de algum milionário do antigo Império, se vem dedicando, com grande destaque, à comemoração do seu 150º aniversário.
Até aqui, tudo bem.
O jornal gaba-se do que dizia durante a Monarquia Constitucional, das loas que teceu à I República, do que noticiou durante a Grande Guerra, da sua presença em momentos chave do sec. XX, do seu embarque no 25 de Abril, até dos tempos em que se dedicava a propagandear a revolução comunista sob a batuta do tiranete Saramago, etc., etc., etc..
Mas, dos mais de 40 anos que consagrou a loas à II República, nada ou quase. Augusto de Castro parece nunca ter existido. Só António Ferro, apesar de aderente ao regime, teve direito a presença, dado o seu “modernismo”. Pouco ou nada mais. O Império sumiu-se no nevoeiro informativo. O DN, a sua luta por ele, também foi sovietizado, isto é, deixou de fazer parte do passado, como Béria ou Trotsky da enciclopédia bolchevista.
Alguém com mais pachorra que o IRRITADO poderá “analisar” com “rigor científico” – como se diz e aceita agora qualquer investigação – o que foi escrito nas louvadas páginas, mas não é preciso ser “analista” para concluir o que o IRRITADO concluiu: os 150 anos do DN foram só 110.
13.8.14
António Borges de Carvalho

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