Antigamente, as Forças Armadas eram o “espelho da Nação”. Não se sabe exactamente o que isso queria dizer. Depois do 25, continuaram a ser o mesmo espelho, ainda que espelhassem o contrário.
Hoje, continuam a espelhar. Espelham que se fartam.
Olhem o general que, antes que fosse tarde, sacou a reforma sem descontos e continuou, sem dizer nada a ninguém, a exercer as mais altas funções que a tropa proporciona aos seus profissionais. É um espelho da Nação, ou não é?
Olhem um tal Cracel (raio de nome), conhecido díscolo militar, que já chega ao ponto de ir fazer queixinhas ao Tribunal Constitucional, como se tivesse competência para tal. É um espelho da Nação, ou não é?
Olhem o Tribunal Constitucional que, em vez de correr com o Cracel, vai acusar a recepção. É um espelho da Nação, ou não é?
Olhem os oficiais, os generais, os vintecincos – não, não são só os sorjas ou os taratas – que fazem reuniões conspiratórias, jantares, almoços, conferências, discursos na aula magna, o diabo a quatro. São um espelho da Nação, ou não são?
Há que compreender. Os espelhos da Nação não podem ser privados seja do que for, antes pelo contrário. Sentem-se a espelhar uma Nação arruinada, a esbracejar em ondas que arrasam privilégios, prebendas e excepções. Esta não querem eles espelhar. A crise é boa para os outros.
7.3.14
António Borges de Carvalho

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