Há coisas que fazem uma confusão dos diabos. Nesta história maluca dos estaleitros de Viana do Castelo, coisa que vem ocupando as meninges de toda a gente, onde estará alguém que se debruce sobre esta tão simples questão: porquê?
Porque estão os estaleiros falidos, porque não têm trabalho?
Ainda não ouvi ninguém falar na bronca do navio dos Açores, a não ser para dizer qual foi o prejuízo e quanto custa a manutenção do elefante. Parece que os culpados da situação fizeram muito bem em não comprar o navio! É preciso lembrar que o sinistro senhor César, condotireri socialista da altura, mandou cancelar a encomenda com base no facto, talvez real, de a velocidade de ponta do navio ser inferior em dois nós em relação ao contratado. Nada de negociar, nada de exigir um desconto. Cancelamento, e pronto! Como por encanto, os Açores já tinham, tudo indica, contratado navios gregos, por importâncias astronómicas, para fazer os transportes que o “Atlantico”, apesar de diferença de dois nós, faria mais depressa. Legítimo será pensar que a tramóia estava montada. Porquê? Para quê? Não se sabe. Perguntem àquele tipo que anda para aí a descobrir corrupções por tudo quanto é sítio. Talvez ele saiba alguma coisa…
Ainda não ouvi ninguém perorar sobre as “esperanças”, ou os negócios “firmes” celebrados pelo governo socialista com o falecido camarada Chávez. Então ele não comprava o navio? Então ele não encomendava asfalteiros aos molhos? Então não bastava um gesto do tirano para resolver tudo?
Ainda não ouvi ninguém apontar espingardas aos cancelamentos das encomendas de lanchas de vigilância para a Marinha. Então já não são precisas? Não há dinheiro para elas? Ninguém sabe ao certo os porquês.
Não será possível obrigar, ou condenar os Açores, coisa caríssima mas mais discreta que a Madeira, a receber o navio? Não será possível apontar os dedos aos culpados? Com o parlamento permanentemente afogado em inquéritos, porque não há um só partido, mesmo dos mais gritantes, que proponha um inquérito ao caso “Atlântico” e aos alugueres de navios aos gregos?
Não será possível indagar o que havia de real nas promessas do Chávez, salvificamente anunciadas ao país com as parangonas próprias do engenheiro relativo? Era tudo mentira? Havia alguma coisa escrita que comprometesse o tarado a cumprir? Ou era tudo “bocas” propagandísticas?
E agora? Agora, o governo, que não é vendedor de navios nem percebe nada disso e ainda bem, resolveu entregar aquilo a um grupo privado. OK, dando de barato a prova da solidez de tal grupo, que há quem ponha em causa. Os tipos parece que querem a coisa “limpa” de pessoal, contratando em seguida 400 dos 620 trabalhadores. Num empresa tão antiga, não parece difícil reformar 220 pessoas. Também não parece demasiado difícil que o contrato dos outros 400 seja, obrigatoriamente, celebrado em simultâneo com o “despedimento”.
Parece que os tipos prometem contratar, a prazo, uns mil trabalhadores. Haverá que verificar as bases de tal promessa, bem como a garantia da ocupçãodos 400 que ficaram.
Deixemo-nos de fantasias. Os estaleiros naufragaram vítimas de clientes abusadores, como o governo dos Açores, de “clientes” aldrabões, como o Chávez, de um governo aldrabão e de um Estado teso. O resto é conversa.
Os senhores da Martifer são credíveis e têm clientela credível na manga, ou não têm? That’s the question.
4.12.13
António Borges de Carvalho
ET. Afinal, havia uma comissão parlamentar a tratar do assunto, e o IRRITADO não sabia! Mas, ouvidas as distintas personalidades de tal comissão, concui-se que ninguém está interessado em saber os porquês. 5.12.13

Deixe um comentário