IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA VERGONHA DOS DOCENTES


Se acreditarmos nas aldabices do xarroco, 90% dos professores fizeram greve no dia do exame. Estavam, portanto, disponíveis só 10%. Estes 10% vigiaram os 80% dos alunos que fizeram a prova.

O xarroco não percebe no que se meteu. Se chega 10% dos professores para o trabalho, mesmo dando os mais generosos descontos é possível chegar à conclusão que há muitos professores a mais, para além dos que já o estavam por falta de alunos.

Parece que os escrúpulos democráticos e sociais do governo o fazem tratar o problema com pinças, sem perceber que, sejam quais forem as delicadezas que use, jamais evitará a fúria do xarroco. O xarroco não anda nisto para defender os professores (nunca andou), anda nisto para fazer a política do comité central. E não tem escrúpulos de nenhuma espécie. O resto é conversa.

O problema é que uma classe que se sonharia de bom senso e plena de noção das responsabilidades tem os mesmos escrúpulos do xarroco, ou menos.

Que gente formou a nossa universidade durante estes anos, ou décadas? Que gente, que se recusa a ver um milímetro para além do seu próprio nariz? Que gente, que “educa” a juventude com critérios da mais rebuscada irresponsabilidade? Que gente, que dá os exemplos que tem dado, com este governo como com os demais? Que gente que tripudia sobre valores, democracia e outras coisas que não usa nem respeita?

Onde vai parar a successor generation, formada por gente desta?

*

Hoje, li um artigo escrito por um “professor”. Um tal António Jacinto Pascoal, para que conste.

O homem acha horrível que haja turmas de 28 ou 30 alunos! O homem acha que os “professores”, coitadinhos, mal têm tempo para para preparação das aulas, “em virtude da sua carga horária”, coitadinhos. É por estas e por outras, coitadinhos, que não querem o horário de 40 horas, sendo 22 de aulas!!!… nem “conseguem atender às especificidades dos alunos”, coitadinhos… “os professores estão acabrunhados(?) pelo trabalho”, coitadinhos.

Daí conclui: Então, e “os alunos é que se sentem lesados”? de facto, o Pascoal tem toda a razão: os alunos não passam de um pretexto para os “professores” ganharem a vida, não é? Que porcaria é essa dos exames?

O brilhante raciocínio desde nobre “professor”, certamente transmitindo o sentir da classe, tem duas consequências. A primeira: é “uma vergonha” ter havido 10% dos professores, segundo as contas do xarroco, que foram aos exames. Uns desavergonhados, que não deviam ter ter o direito de não alinhar na greve. A greve não é um direito, é uma obrigação, segundo o Pascoal. O resto é uma vergonha. A segunda – fugiu-lhe  boca para a verdade – é que “esta não é uma greve de professores, todos sabemos que aqui se joga muito mais campeonato”. Pois, é uma greve do xarroco, portanto do comité central. E acresenta: “não é desonra nenhuma dizer que esta greve serviu para molestar a realização do exame do dia 17”… e “só quem é parvo é que não sabe que é isso e muito mais do que isso”.

Aqui temos, bem escarrapachado: a) o que é vergonha para esta gente, b) a verdadeira natureza da greve do dia 17, c) o que é a “educação” que esta gente recebeu e que vende aos alunos, d) o que é o entendimento que esta gente tem dos valores democráticos e do próprio sentido do Direito, e) o português de 4ª classe do Pascoal.      

 

20.6.13

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “DA VERGONHA DOS DOCENTES”

  1. Caro Irritado,Cegueira e insulto nunca foram decentes.

  2. Avatar de XXI (militante PSD com as quotas em dia)
    XXI (militante PSD com as quotas em dia)

    “O xarroco” é um restaurante situado junto à lota de Matosinhos, onde pode encontrar um atendimento simpático e competência no serviço.Lendo o artigo aqui postado pelo Irritado, apraz questionar:Que gente formou a nossa universidade durante estes anos, ou décadas? Que gente, que se recusa a ver um milímetro para além do seu próprio nariz?Que gente que tripudia sobre valores, democracia e outras coisas que não usa nem respeita?Onde vai parar a successor generation, formada por gente desta?Que gente, que foi deputado, “fala” com critérios da mais rebuscada irresponsabilidade? Haverá alguém, no seu perfeito juízo, que logrará pensar em votar num Governo “fora da lei”?

  3. http://tempodeteia.blogspot.pt/2013/06/da-canga-pedagogica-e-da-sua-relevancia.htmlAqui pude ler: Ao recordar as desculpas de NC (Nuno Crato) nesta entrevista, lembrei-me da história do cão a quem um linguista havia ensinado a falar mas que não falava coisa nenhuma: “ensinar eu ensinei, ele é que não aprendeu!”

  4. Dando razão a este e outros posts do Irritado, o nosso Ministro Poiares Maduro afirmou hoje: “um dos grandes problemas em Portugal é que TUDO É CONTESTADO”. Para ele, “os portugueses CONCORDARAM em mudar de regime democrático e em partilhar a moeda com os parceiros mais competitivos da Europa, mas NÃO CONCORDARAM sobre as mudanças a que isso obrigava”. Esquecendo que Poiares Maduro, antes de ter poleiro, também contestava o Governo, temos aqui a fonte do equívoco pseudo-democrático em que vivemos: os portugueses não concordaram ou deixaram de concordar com NADA – pois nada lhes foi perguntado. Há quem diga: sabiam que o Centrão faria isto ou aquilo, e ao elegerem o Centrão deram a sua aprovação tácita; mas dizer isto é ingénuo, ou até hipócrita. A carneirada vota segundo a lógica tribal da política, que confina com a do futebol – é do PS ou do PSD como é do Sporting ou do Benfica; e também porque a única alternativa são os comunas. Além de que cerca de metade nem vota… Na prática, ninguém conhece os programas dos partidos (nem ganha em conhecer, pois são aldrabices), ninguém é informado sobre as razões e as consequências de nada, ou sobre a situação concreta do país, ou o resultado das políticas que nos impõem. E ninguém nos consulta: somos confrontados com factos consumados. Nestas condições, como se pode ter «concordado» com seja o que for?

  5. E como não se há-de «contestar tudo», se os resultados são estes, e a classe que tomou TODAS as decisões – incluindo a adesão ao Euro e a aplicação das esmolas europeias – sacode a água do capote, enquanto prospera magicamente (pulhiticamente) num país cada vez mais pobre? É verdade que está na nossa natureza mandar vir, ser negativo, mandar abaixo em vez de propor. E é verdade que os professores e outras classes só olham para o seu umbigo. Mas o exemplo vem de cima, dos políticos de todos os partidos. E é isto que o Irritado não aceita. Foram os políticos que criaram um país acomodado, acarneirado, onde reina a chulice e a trafulhice, o compadrio e a impunidade, a chico-espertice e a subsídio-dependência, os “direitos adquiridos” sem obrigações. Foram eles que criaram o quadro político, social e legal que incentiva tudo isto. Fizeram-no sozinhos (o único referendo foi a treta da regionalização). E são os primeiros a tirar partido disto. Logo, as restantes classes – sejam professores, estivadores, ou limpa-chaminés – contestam qualquer corte por um motivo justo, além do egoísmo: os políticos não têm qualquer AUTORIDADE MORAL. Quem é que aceita calmamente viver pior, quando vê chulos, mamões, e trafulhas impunes, a gozar à grande com isto tudo?

    1. “É verdade que está na nossa natureza mandar vir, ser negativo, mandar abaixo em vez de propor. E é verdade que os professores e outras classes só olham para o seu umbigo.”É a sua “verdade”. Não é a minha, nem está na minha natureza. Aliás, ninguém manda abaixo o que está bem. Só os políticos (que “disso” vivem). Os “outros” mandam abaixo o que carece de correcção (o que está mal).Mas, ou muito me engano ou, analisando a sua sequência “discursal”, está a ficar um “profissional”.

      1. E como acha que estaria “bem” para os professores? Emprego garantido para todos? Reforma aos 50 anos? Progressão automática, mesmo para os que metem baixa meio ano, como vários professores que tive? Ordenados de 3000 euros para todos no topo da carreira, pagos pelos descontos de privados que ganham 700 ou 800? E para sindicalistas como o bigodes, o que seria preciso? Reforma aos 42, como os juízes do TC? Progressão a dobrar nos meses de baixa? Emprego garantido para os familiares até ao 3º grau? O meu pai tem 62 anos, uns 44 de descontos, e fica contente quando consegue ir fazer uns dias de um trabalho que é duro para pessoas com metade da idade dele. Vai sendo raro consegui-lo, graças a 30 anos de políticos que destruíram a indústria naval. Todos os dias recebo CVs de pessoas com 40 ou 50 anos que não arranjam, nem vão arranjar nada. Greves? Para fazer greve é preciso, antes de mais, ter emprego. Há mais de um milhão de desempregados em Portugal. Coitado do bigodes.

  6. Se acreditarmos nas aldabices do xarroco (e já agora, da xarroca swap), estamos no bom caminho, apesar do défice orçamental poder ultrapassar os 10% por causa do BANIF.Então, a sua cegueira é assim tanta, que nada diz?

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