Súbita inspiração divina, talvez por via da dona Maria, se abateu sobre o republicano-socialista-e-laico-Soares. O homem resolveu pegar em várias palavras sábias do Papa Francisco e, tratando-o com repetidíssimo respeito por Sua Santidade, resolveu concluir que o dito era socialista.
Fazendo a história negra daquilo a que chama liberalismo, neoliberalismo, ultraliberalismo, etc., doutrinas verdadeiramente demoníacas que “começam a cair em descrédito”, chegou, mais uma vez, à conclusão que a “religião” do nosso governo era essa e que a Igreja nacional, salvo raras excepções (devia estar a pensar naquele tipo que anda na tropa, via Roma, e que só diz asneiras), na senda da direita mais reccionária, está feita com as forças do mal – o governo – ignorando que o Papa Francisco ilumina o nosso caminho pelo luminoso caminho do “socialismo democrático”. Como abuso, não está mal. Como oportunismo, não podia ser mais claro.
Um soit disant intelectual como o nosso Soares, vítima dos seus mais primários ódios, não consegue perceber que as odiadas medidas tomadas pelo nosso governo têm tanto a ver com o neo/ultra/super/liberalismo como o rabinho tem a ver com as calças. O que o governo tem feito, concedamos que à contre-coeur, se tivesse inspiração ideológica e não fosse fruto das circunstâncias que o socialismo fabricou, seria tudo menos liberal – em qualquer das várias e negregadas versões de que falam Soares e outros esquerdóides da treta. Mas… vale tudo, não é? Escrúpulos são coisa que caiu em desuso.
Haver quem publique os dislates do homem é coisa que o IRRITADO confessa que não consegue perceber.
8.5.13
António Borges de Carvalho

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