IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PORTAS DAS TRASEIRAS

 

Estamos todos de acordo. Esta coisa de dar ainda mais porrada nos pensionistas é, como disse o Portas, extremamente desagradável, inaceitável até.  Problema é sabermos que, se não tirarem nas pensões, tirarão noutra coisa qualquer. Alguém há-de pagar.

O IRRITADO, na sua qualidade de sacrificado pensionista, aplaude. Óptimo! Na pensão, parece que o saque da toica não irá mais além.


Postas as coisas nestes termos, uma pergunta resta para fazer ao arauto da oposição interna, o ilustre Portas: Onde? Como? Quem vai pagar? O homem diz-nos que noutro sítio, mas como não diz qual, nem como, nem quem. Ficamos mais ou menos na mesma.

Depois, o modus faciendi que Portas escolheu. Primeiro, mandou que outrem pusesse a boca no trombone sobre as guerras intestinas a que se terá dedicado no conselho de ministros. Depois, fez mais um teasing, anunciando com quatro dias de antecedência, qual Obama da Cascalheira, que ia aparecer ao povo, com aura de salvador da Pátria. Finalmente, faz a sua proclamação, dizendo que não às pensões mas aceitando o princípio dos cortes, sem dizer com que critério.

Dirão os mais desconfiados que aqui anda gato. Será que Portas não tinha outra maneira de fazer as coisas que não fosse aproveitá-las para uma jornada de propaganda socio-eleitoral? Parece que sim. Por uma questão de lealdade. Por uma questão de dignidade própria.  Por uma questão de compromisso.


Parece que este tipo de atitude se filia na longa história do CDS, primeiro partido a aliar-se ao PS, depois, na AD, ao PSD e o PPM. Deu cabo da coligação com o PS, fez cair o governo. Deu cabo da coligação com PSD/PPM, fez cair o governo. Mais tarde, outra vez se juntou ao PSD, mas durou pouco, deu cabo da coisa antes que o ilustre Marcelo lhe fizesse o ninho atrás da orelha. Ansioso de protagonismo, seja via Freitas do Amaral, seja via Adriano Moreira, e vários outros, o CDS sempre foi uma força amaricada e traiçoeira, atigindo com Portas novos píncaros,

O grande chefe da direita (Freitas) apressou-se a fazer-se com Soares, que o tinha vencido indecentemente nas presidenciais. Fez-se com o Pinto de Sousa, que acabou por trair, como tinha traido Balsemão e como  trairá quem se puser a jeito. Os grandes do CDS, de que é exemplo esse escarro que se chama Basílio, sempre tiveram na cabeça o tropismo do PS. “Se um não (nos) serve, serve o outro, desde que tenhamos hipóteses de poder”, deve ser o mais alto dos pensamentos do CDS.

Incapaz de se impor internamente – será que esconde argumentos para lançar na praça pública? – aproveita para deitar a escada ao descontentamento. E, em vez de tratar dos assuntos no lugar próprio – se é que o move alguma intenção generosa ou programática – prefere apanhar o combóio da propaganda.

O IRRITADO acha bem que Portas descubra a solução para não lixar mais os aposentados, ainda que se exima a declarar como. Mas a porta do Portas devia ser a da frente, isto é, a do conselho de ministros. Mais uma vez, escolheu a porta das traseiras, que somos nós, os papalvos que são capazes de pensar que está a lutar por eles.

Ainda por cima, trata-se de evidente estratégia. Inúmeros porta vozes são “nomeadsos” para papaguear bitates de “independência”, preparando com minúcia a angelical aparição do chefe.


No fundo, para o clube, preciso é ir-se deixando estar no poder. Sem prejuízo do futuro, isto é, sem desagradar ao PS, que pode vir a ser o escadote de amanhã.   

 

6.5.13

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “PORTAS DAS TRASEIRAS”

  1. “Onde? Como? Quem vai pagar?”Algumas sugestões: reduzir a metade o nº de deputados (quiçá a 1 por cada partido, cujo voto representaria a percentagem eleitoral – o resultado seria idêntico ao actual); extinção total das chefias intermédias na FP (haveria um operativo que acumularia a função com a chefia, mediante um prémio de exercicio); CA das multiplas empresas publicas reduzidos a dois (um técnico e um “politico”); zero de comparticipações monetárias publicas para Ordens Profissionais (quiçá a sua extinção); pensões com o máximo de 1500 a 2.000 € (mas atenção, com direito á assistência na saúde com um limite máximo taxas a cerca de 10% da sua pensão).Outro dia direi outras. Estas seriam meramente “educativas”, com um efieto fabuloso no respectivo código genético.

    1. Esqueci-me: tenho esperança que o Portas Deneuve seja o “arauto” de qualificar o CDS como o partido do submarino…

  2. Esplêndido, como sempre!

    1. Esplêndido, onde? Nas “TRASEIRAS”?

  3. essa de chamar escarro a Basílio, mostra a boa educação, diria mesmo “finura”, do autor quase desconhecido deste blog. Cumprimentos

    1. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      Caro Rui Dias, permita que enalteça a pertinência do seu comentário: chamar ESCARRO ao Basílio, embora o resuma admiravelmente, é de facto pouco. Podemos e devemos acrescentar que o Basílio é também chulo, tachista, vendido, parasita, ordinário, e cabotino. Enfim, é um PULHA, e representa o pior da pulhítica portuguesa. Perguntará o caro Dias: não terei olvidado que o Basílio é também um VIRA-CASACA? Tenho de discordar, pois não a virou – era um pulha, e continua um pulha. Ora, um pulha tem lugar em qualquer partido; mas a haver algum mais adequado, é justamente o Partido Sucateiro – um verdadeiro partido de pulhas. Logo, o Basílio foi para o partido certo, onde assume plenamente a sua pulhice. Fez bem. Quanto à “finura”, permita-me louvar também a sua ironia: se há alguém sem finura, e que não a merece, é mesmo o Basílio. Esse pulha. Bem-haja, e cumprimentos.

      1. Ó Bastos: basta de azia. Um cházinho quente faz sempre bem. E as pessoas educadas tomavam-no em pequeninas. Sinal dos tempos… Agora bebem bebidas “finas”

        1. Avatar de Filipe Bastos
          Filipe Bastos

          Realmente, caro Dias, bebo pouco chá: sou mais adepto de água, (bom) vinho, e cerveja. E nunca me causam azia. Sabe o que me causa azia? Os pulhas. Como o Basílio.

      2. Por mim termina a discussão sobre o “escarro”. Tanto mais que a sua [dele, escarro] consistência depende principalmente da sua composição: soro, pus e muco. Por tal, ponto final! Tenha bom fim-de-semana e cuidado com o Sol….

        1. Avatar de Filipe Bastos
          Filipe Bastos

          Obrigado, tomarei as devidas precauções. E esperemos que o ESCARRO não troque o tacho paralamentar pelo da Câmara de Sintra – para bem dos sintrenses. Mal por mal, no Paralamento é só mais um pulha – já estamos habituados. Bom fim-de-semana também para si.

  4. Ainda bem que saí a tempo da função pública – Ainda bem que me reformei há quase 3 anos, já saltei a “barreira” e agora na condição de aposentado, já tenho mais gente que me defenda para além do PCP e do Bloco de Esquerda. Agora já posso contar com o PS e com o CDS para me defenderem também para me segurarem o mais possível o valor da pensão que recebo. Mesmo assim ela já foi reduzida: fazem-me pagar para a ADSE; aumentaram-me o IRS e também me cortaram nos subsídios. Mas os que ficaram e que não aproveitaram para sair da função pública, embora já estivessem em condições de o fazer, estão a ficar pior de ano para ano, “they are all fucked” (tradução: eles estão todos lixados), porque já pagaram bastante, continuarão a pagar e qualquer dia até acabam com as aposentações antecipadas e vão ter que ficar no seu posto de trabalho até aos 66, 67, quiçá até aos 70 anos se lá chegarem, apesar de “haver funcionários públicos a mais”, conforme dizem os nossos políticos há muitos anos. E por doença, só saem se ficarem com diagnóstico de morte a curto prazo ou acamados e mesmo assim, muitos deles terão que ir a Juntas Médicas em local que lhes será indicado. Alguns deles (os que não tiverem apoio familiar) irão morrer em casa abandonados sem conseguirem receber a pensão a que têm direito e para a qual descontaram, porque já não podem tratar da aposentação e o Estado não os vai procurar. Se for proprietário da casa que habita, passados 13 ou mais anos as Finanças deverão mandar um funcionário a sua casa, a fim de saberem porque não pagou o IMI (aconteceu recentemente um caso destes).

    1. Tem razão no que diz. Também sou reformado (da privada), e sei o que se passa. A diferença é que não tive os dourados da função pública. Emprego, desemprego, e outras vicissitudes…, e acabou por não correr mal de todo.Esquece-se, caro alentejano, de quem fabricou esta desgraça toda e acha que os infelizes que estão no poder, cuja demissão se vai por aí exigindo (nunca exigiram a queda do Pinto de Sousa, apesar das suas múltiplas malfeitorias!), mais não fazem que tentar a única hipótese de se vir a sair desta. E, mesmo que se saia, ninguém quer perceber que nunca mais vai ser como dantes, ou seja, que, se tivermos sorte, talvez voltemos ao “bem-estar” dos anos 80.Boa sorte, e saúde para si e para a burra.

      1. O CDS sempre teve os reformados como a sua grande base de apoio. Se os perder corre o risco de se sumir do espetro político nacional.

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