Dar à casca consiste em fazer gala em mostrar os despeitos de cada um, mascarando-os de opiniões e julgando que os outros não dão por isso. Trata-se de um desporto muito praticado no PSD, vá lá saber-se porquê.
Alguns exemplos:
Capucho. Abandonou a Câmara de Cascais sem mais nem menos. Começou por deixar passar a “narrativa” de que estava doente. Não estava. Foi-se embora e acabou-se. Não fazia parte dos admiradores de Passos Coelho. Era Conselheiro de Estado. Um senador da República, que diabo! Um senhor! Depois, ficou sem este prestigioso lugar por razões que a razão desconhecerá mas que o poder de quem o substituiu justifica. Fez constar a sua disponibilidade para o serviço do partido. Uma camarazita, ou camarazona, como a de Lisbos, ficava-lhe a matar, na sua opinião, claro. Levou com os pés.
Posto isto, desatou a dar à casca. Da pior maneira. Um tipo do PS ou dos partidos comunistas não faria melhor oposição. Umas bocas na SIC e nos jornais, e aí está uma ferocíssima luta contra o seu partido.
Manuela Ferreira Leite. A senhora deve ter achado insuportável e injusto ter sido corrida da chefia. Estará no seu direito, mas eleições são eleições, agradam a uns e entristecem outros, como é próprio de toda e qualquer eleição, à excepção das do PC que agradam a todos porque quem não gostar é expulso. Este governo, em circunstâncias muito mais difíceis, está a fazer a política que era, há anos, preconizada pela senhora. Na ilustre cabeça dela, tal política era boa nas suas mãos mas é má nas de outros. E não está com meias medidas. Vem cá para fora dizer cobras e lagartos dos seus colegas de partido.
Pacheco Pereira. Do alto dos inúmeros e bem pagos púlpitos a que soube guindar-se, dedica o seu tempo a zurzir a família com rebuscadas diatribes. Não aguentou ter deixado de ser o filósofo oficial do partido, porque a chefe de quem dependia deixou de o ser. E pumba! Aí está ele à porrada, por tudo e por nada, ou por dá cá aquela palha. Ganhar a vida não é fácil, e não há dúvida que, estando na prateleira, a porrada paga melhor.
Esta lista não é exaustiva, mas ilustra o que se passa. Estranho é que a nenhum destes luminares tenha ocorrido que têm o direito de sair do partido ou que, se querem dar cabo de quem nele manda, devem e podem fazê-lo por dentro. O problema, se calhar, é que, por dentro, ninguém lhes pagava para isso. Cá fora, é um fartote.
“Quem não está bem, muda-se” diz o povo. Esta gente nem se muda nem sai de cima.
Cabe aqui prestar justa homenagem aos inimigos do Seguro. É que são “internos”. Odiando mais o chefe que o Mafoma odiava o toucinho, tratam de o demolir intramuros. Aliás, só não o conseguiram porque o Costa percebeu que estava entre gente muito, muito má, e deu à sola antes que se visse nas mãos do grupo dos deserdados do socrapifiosismo.
C’est la vie!
4.4.13
António Borges de Carvalho

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