IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AVENTURAS SUÍNAS


Desta vez não foi o triunfo dos porcos. Derrotados por um pneu, por ali andaram, peripatéticos, entre dezenas de cadáveres dos seus irmãos, sem saber que a circulação pedonal é proibida nas auto estradas. O povo atónito à espera, horas sem fim à espera, os carros parados, um desespero.

Porquê rebentar um pneu, àquela hora, naquele sítio?

Sim, porquê? Ninguém saberá explicar. Ninguém? Não! Há uma explicação científica, dada por quem, do alto de nobre sapiência, usa dar ensinamentos às criancinhas de Portugal. Verdadeiros cientistas! Dezenas de autocarros carregados de porcos, perdão, de professores, vinham a Lisboa manifestar o seu descontentamento. Sob as ordens, como não podia deixar de ser, do grande educador, chefe incontestado, senhor de bigode e olhos vampirescos, membro indiscutível das altas esferas do nacional-bolchevismo, um condotieri, um organizador, enquadrador, guia espiritual, maravilha fatal da nossa idade.

Uma sua adjunta, possuída de justa histeria, brindou a Nação com a verdade científica do acontecido. Manobra do governo, pois então! Por a+b, a mulher iluminou-nos com a demonstração da verdadeira verdade, aliás de uma evidência cristalina, que só um estúpido não veria: Passos e Gaspar tinham mandado sacrificar uma récua para impedir a passagem aos nossos brilhantes educadores. Uma atitude claramente fascista , como ficou provado à saciedade. O chefe, também ele emérito cientista, viria, um pouco mais tarde confirmar a brilhantíssima tese da sua adjunta, assim suscitando vibrantes aplausos das docentes massas.


Facto é que não fora a prestimosa intervenção da polícia, lá ficariam os educadores horas sem fim, como os demais impedidos de aceder à cidade. Mas a Polícia é sábia, ou também é sábia. Batedores foram mobilizados, o trânsito aberto para os autocaros, os docentes, aos berros, passaram, enquanto o indescriminado povo era impedido de seguir caminho. Profundo sentido de justiça, o da polícia. Arriscando contrariar as ordens do poder, acto de grande bravura, a polícia soube distinguir o trigo do joio e proteger os professores, abandonando a canalha ensardinhada na via, entre porcos, vivos e cadáveres. Muito bem!


Os grandes ensinadores do povo acabaram por desfilar na avenida, como é sua profissional obrigação. Contra o governo, pois claro. Sempre foram contra o governo, este ou outro qualquer, à excepção dos do camarada Vasco, como é de timbre e acha o vampiro. A favor da escola pública, que é a que garante (ou garantia) o tachinho. A favor do bem amado patrão, o Estado, esse santo milagreiro e pagador que a troica quer encoilher.


A luta continua!

 

28.1.13

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “AVENTURAS SUÍNAS”

  1. Parece impossível, como já aqui comentámos, que entre tantos cientistas, matemáticos, e estatísticos, os professores ainda não tenham percebido que isto só pode piorar. Todos os dias fogem de Portugal centenas de pessoas, e muitas delas levam os filhos. As que ficam, têm (ainda) menos filhos – pois não querem que estes passem fome. Numa profissão com excesso de oferta, a perder procura todos os dias, e com o patrão-Estado falido, é difícil dizer qual a excursão mais patética: se a dos porcos malogrados, se a dos professores revoltados. ——————— Mas eu vim cá por outra coisa: descobri um vídeo que tenho de partilhar; é mais forte que eu. Uma jovem inventora portuguesa demonstra o seu novo produto, num museu egípcio, perante duas jarras. A plateia ouve-a quase em transe, tal como nós. O produto é visionário, e todo o momento é simplesmente mágico: http://www.youtube.com/watch?v=YsH8uylOBzg

    1. Agaaaaaaaaaaaaaaaarrem-me, que eu me vou atirar da ponte Salazar…

  2. Em qual veículo estava?

    1. Não me viu a circular “meio perdido”?

  3. Brilhante!

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