IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


BÁSICO?


Já ninguém sabe se o PM queria, ou insinuava, que o secundário devia ser objecto de taxas moderadoras ou coisa que o valha, ou se estava a dizer outra coisa qualquer. A confusão instalou-se. O Crato diz que não, que não era isso que o chefe queria dizer. Há quem diga o contrário. Venha o diabo e entenda.

Uma pequena reflexão.

Quando, sob a batuta do PC, do “socialismo democrático” e da “social-democracia”, foi aprovado o prolixo e programático documento a que se dá o nome de Constituição, o ensino “básico” era de 4 anos. Pergunta: a Constituição, quando diz “básico”, quer dizer obrigatório? Ou o “básico” continua, ou continuava, a querer dizer ensinar a ler, a escrever, a contar e mais umas coisinhas? Quem o saberá?

Aceitemos a confusão de conceitos. O problema é que o ensino obrigatório passou a ser de 6, depois de 9, agora parece que vai passar a 12 anos. A Constituição continua a obrigar o obrigatório a ser gratuito? Ou passou a chamar-se básico ao obrigatório? Já agora, porque não mais uns anitos? Tudo minha gente obrigatoória ou basicamente licenciado? Porque não doutorado? Porque não passarmos todos a catedráticos, e sempre de borla?

O IRRITADO não vai contra. Ficávamos todos a ensinar-nos uns aos outros. Um fartote. Morríamos de fome, mas cheios de sapiência.


Muito a sério, meus senhores, o que a Constituição diz (“ensino básico gratuito”) não se aplica ao ensino actual. Porque não se pode aplicar. Porque o ensino obrigatório não tem nada a ver com o ensino básico de que a Constituição falava. Se o PM disse que era possível que viesse a haver participação dos estudantes nos custos do secundário, afirmou algo de indesejável, mas não disse nada de inconstitucional.

Verdade verdadinha é que o ensino básico, obrigatório, primário, secundário ou o que lhe queiram chamar, tem pouco de gratuito. É que, só em livros (manuais!), as famílias gastam muitas vezes o que não têm. Fora o resto.


Durante décadas, exércitos de “pedagogos”, acantonados no ministério da educação, dedicaram-se a parir coisas novas, programas, currículos,sistemas, tudo a implicar que os livros deste ano para o ano que vem já não prestassem, tudo a encher de dinheiro as editoras que, e muito bem, espreitam as oportunidades que os tais pensadores lhes vão oferecendo. As escolas não têm o direito à pedagogia, feudo exclusivo de “quem sabe”. E quem sabe, lá na 5 de utubro, sabe hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, que o que é preciso não é ensinar, é publicar estudos, nvestigações e… manuais. O que, além de tudo mais, justifica a “utilidade” de inúmeros funcionários.

Haverá algum português que saiba quantas “reformas do ensino” já se fizeram durante a III República?

O IRRITADO acha, ao que tem lido sobre o assunto, que, acabando com a mama dos manuais e dos intelectuais e dos pedagogos, por cada estudante se pode, em média, libertar uns cem euros por ano. Se, desses cem euros, cinquenta passassem a propina, perdia-se alguma coisa? No fundo, se o PM disse o que para aí se diz que disse, talvez nem andasse longe da razão. Tinha era que dizer como.

 

4.12.12

 

António Borges de Carvalho      



4 respostas a “BÁSICO?”

  1. Seja bem aparecido. Quanto à 1ª questão, a Lei de Bases do Sistema Educativo define que o ensino BÁSICO tem uma duração de nove anos. E a sacrossanta Constituição define que o ensino BÁSICO é «universal, obrigatório e gratuito». Logo, e caso a lógica não seja uma batata, os nove (ou doze) anos são forçosamente universais, obrigatórios e gratuitos. Para cobrar propinas no liceu, só mudando a lei: ou fazendo regredir o ensino básico, ou inventando um termo pomposo qualquer (os políticos são bons nisso) para os anos em causa. Por mim, achava lindamente, desde que resolvessem primeiro a 2ª questão – a mama e a bandalheira referidas pelo Irritado – e desde que o Estado cortasse a sério noutras mamas (salvo seja) e bandalheiras, cuja enumeração me levaria o resto da semana. Como tais reformas e cortes me parecem, como dizer?, levemente improváveis, pensar sequer em onerar as famílias com mais esta taxa – no país que temos – parece-me, como dizer?, uma grande filha da putice. Se este Governo não sabe onde mais cortar, é simples: que faça um referendo, uma consulta nacional; que pergunte aos cidadãos, e ouça as respostas. Era engraçado, não era, Irritado?

    1. Era engraçado, lá isso era!Mas, o Irritado não responderá. “Afundou-se” na lógica da batata …!

    2. Se me disser qual a pergunta (com resposta sim ou não), talvez até alinhe no seu referendo.Quanto aos nove anos, é capaz de ter razão. Talvez a memória me traia, mas continuo a achar que, quando a Constituição foi feita, eram 4 anos.

      1. Creio que falhou o ponto: a Constituição indica apenas que o ensino BÁSICO é universal, obrigatório e gratuito, sem especificar o nº de anos. Na altura seriam 4 anos, agora são 9, amanhã podem ser 12; vai dar ao mesmo. O que interessa é o que a lei vigente define como BÁSICO: sendo básico, tem de ser fornecido gratuitamente pelo Estado. Conforme a conveniência – ou pulhice – o Governo pode definir o que é básico, e cobrar pelo restante. Quanto ao referendo, há algumas perguntas possíveis do tipo sim/não: – permanência no Euro; – renegociação do memorando (i.e. dos JUROS); – democracia “representativa” ou mais directa; entre outras. Mas quem explica ao “cidadão comum”, que mal sabe o que vai almoçar amanhã, o que cada resposta implica? Não falamos de questões “fracturantes” como o aborto, que são as únicas em que a canalha política admite referendos, de década em década, porque lhes são inócuas; falamos de questões que afectam directamente a gestão do país, o presente e o futuro de TODOS os cidadãos que têm a infelicidade de (ainda) cá viver. Estas questões podem e devem ser explicadas, referendadas, e aplicadas conforme a maioria entenda – e dou de barato que a maioria não as entenda como eu entendo – a prova é que reelegem este CENTRÃO PODRE, após quase 40 anos. Mesmo assim, creio que só teríamos a ganhar. Primeira questão de escolha múltipla, para “kick-off” do sistema, especialmente para o Irritado: OS NOSSOS POLÍTICOS DEVEM TER SUBVENÇÃO VITALÍCIA? (anexo: lista completa de beneficiários, subvenções recebidas, cargos passados e actuais, bens conhecidos, principais acções tomadas no poder, etc.) a) Sim. b) Sim, mas fazendo contas ao que beneficiaram/custaram aos contribuintes: nos saldos positivos, mantêm-se; nos negativos, serão penhorados. c) Não. d) Não, e vamos dar uso aos nossos pelourinhos – a começar por esta lista.

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