IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EPISÓDIOS DA NOVELA DA TRETA

 

Toda a gente percebeu que uma senhora de nome Rocha, obscura militante socialista, sentiu na carne o pânico do partido com a eventual candidatura de dona Helena, e tratou de a evitar pelos meios ao seu alcance. Para quem não sabe de quem se trata – o que deve passar-se com 99,99% dos lisboetas – a senhora em causa é a governadora civil do distrito, a seu tempo e a seu jeito nomeada pelo candidato Costa.

A coisa era grave. Dona Helena é mais um Manuel Alegre para o PS, uma fulana cheia de visão de futuro, visão que a levou a desfiliar-se do PS assim que lhe cheirou que ia haver eleições em Lisboa e que não seria a escolhida do chefe. A senhora Rocha tratou de arranjar uma data que puzesse de fora a dona Helena.

Mas o tiro saíu pela culatra. Veio o Tribunal Constitucional adiar a coisa por mais quinze dias, o que dá à dona Helena todas as facilidades para se apresentar a roer as canelas do candidato Costa. Uma chatice.

 

Muito justamente, vêm alguns pedir a cabeça da senhora Rocha. Pois se se pôs de joelhos perante os interesses do candidato Costa, o que está ela a fazer no Governo Civil? Que confiança dá aos cidadãos no acto eleitoral? É Governadora Civil de Lisboa, ou governadora eleitoral do PS?

Baldada diligência. A senhora fica, de pedra e cal, e dá sinais evidentes de vir a beneficiar, no que ao seu alcance estiver, o candidato que, “como cidadã”, faz questão de, publicamente, apoiar. É, no seu melhor, a desfaçatez, a absoluta falta de vergonha socialista. 

 

Diga-se em abono da verdade que quem pediu a cabeça da senhora foi o CDS-PP. O PSD/Mendes ficou caladinho. Mergulhado na mais extraordinária crise de masoquismo de que há memória num partido político, para o PSD/Mendes, demissões, só as dos seus. Para o PSD/Mendes, o primeiro ministro não tem carácter, mas deve continuar primeiro ministro. Se a senhora governadora favorece um candidato contra outros, porque não há-de continuar no poleiro? Coerência, meus senhores, coerência!

Parece que, para o dr. Mendes, o fundamental é correr com o PSD de todas as instâncias do poder, e garantir que o PS não tenha problemas em ficar com o poder todo, todinho, coisa tão do agrado do largo do Rato.

 

Os camaradas do BE revoltam-se contra a nova data. Dizem que a malta vai estar em férias em 15 de Julho. Pois é. E em 1 de Julho, não vai? Será um raciocínio trotskista/Louçã? Ou leninista/Portas? Ou enverhoxista/Fazenda? Sabe-se que a lógica desta gente não é a mesma das pessoas normais, mas, que diabo, esta é de cabo de esquadra! Enquanto pessoa normal, arrisco uma explicação: os tipos ficaram à rasca com a candidatura da dona Helena, que é mulher para lhes dar um dentadinha nos votos.

 

Das profundezas do Tribunal Constitucional, extraíu o chefe o seu novo Ministro da Administração Interna. Não lhe dá tudo, é certo, só as competências que não saca para si próprio.

Chateado por não ter sido eleito vice-presidente do tribunal, o dr. Pereira, célebre nos jornais por advogar a governamentalização da Justiça, bate com a porta e viaja para o Terreiro do Paço. De certa forma é uma coisa boa, já que fica o TC livre de um fulano que, como é evidente e os factos demonstram, não oferecia nenhuma espécie de garantias de isenção. Adorava saber se não foi dele um dos votos contra a decisão sobre a data das eleições, se é que à altura ainda andava armado em juíz..

 

No meio da pessegada, houve quem argumentasse que SEPIIIRPPDAACS devia ter impedido a nomeação do dr. Pereira, sob pena de cohonestar a monumental ofensa às Instituições que a sua saída do TC consubstancia. Cais quê! SEPIIIRPPDAACS preza, acima de tudo, a cooperação estratégica com o ex-engenheiro. Abrir fendas nesta altura? A dois dias da presidência da UE? Estão a brincar, ou quê? Nem pensar. Para SEPIIIRPPDAACS o caso não passa de um fait divers como outro qualquer. O primado do executivo no seu melhor.

 

O arquitecto paisagista Telles é um dos mais destacados apoiantes do caloteiro Fernandes. Mais um emérito viajante. Foi do PPM, foi da AD, foi do PS (independente!), foi do MPT, foi do PS/PC, agora está no BE, isto se não me esqueço de nenhum apeadeito da sua pluralística viagem. Com um jeitinho, se o Paulo Portas o convida, ainda acaba no PP. Se o Fernandes ganhasse as eleições teríamos hortas sociais no meio dos quateirões (já viram os executivos das avenidas novas a regar cebolas?), teríamos o célebre caminho pedonal do parque Eduardo VII para a Serafina (era só preciso calcorrear o vale da Alcântara todinho, para baixo e para cima, coisa óptima para dar cabo do canastro ao mais pintado), seria a coroa de glória de uma vida inteira a atrazar o mundo.

 

Enfim, a pessegada continua. Há mais capítulos, mas ficam para outros posts.

 

 António Borges de Carvalho


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