Um conselho do IRRITADO aos que “acusam” o governo de ultraliberal: leiam a entrevista, no “Expresso”, da ministra da agricultura e de mais não sei quantas coisas.
Não há melhor exemplo de ânsia proteccionista.
Não há melhor exemplo de como a chamada democracia cristã se aproxima do socialismo dito democrático.
Não há melhor exemplo da total ausência de mentalidade liberal que impera no país.
A propósito da magnífica promoção do Pingo Doce, a senhora, em vez de dizer que, a haver alguma ilegalidade, será do pelouro de quem o tem, desata numa sanha controleira, anuncia uma data de novas leis, tipo big brother do comércio, propõe-se garrotar a liberdade contratual de entre trabalhadores e patrões e entre parceiros comerciais, tudo a propósito de altas moralidades, de “protecção do mais fraco”, de abusos de posição, num delírio digno de tempos que já lá vão. Não se pode ser mais anti-liberal.
O que pode levar a senhora a alinhar com os raivosos protestos da extrema-esquerda e do socialismo segurista?
O que pode levar a senhora a armar-se em dona da vontade das empresas e dos seus trabalhadores? Terá medo que lhe chamem liberal?
Ou é mesmo, como acha o IRRITADO, visceralmente anti-liberal?
Anos atrás, os chamados produtores (os “protegidos” da ministra) queixavam-se amargamente dos intermediários que se locupletavam com as margens que lhes eram “devidas” e que eram os culpados pelos preços exorbitantes que o consumidor final pagava. O Pingo Doce, como outros, acabou com os tais intermediários. Vai directamente à produção e acaba por vender mais barato ao consumidor do que se vendia noutro tempo.
É claro que os produtores continuam a queixar-se que são “esmagados” por capitaistas sem escrúpulos, etc. Bullshit! Ninguém quer perceber que, se quer ganhar dinheiro, aumente a produtividade, melhore a qualidade, venda mais barato e ganhe na quantidade.
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O IRRITADO é um fiel cliente do Pingo Doce, que vende bons produtos – os seus produtos brancos, em matéria de qualidade, metem toda a concorrência num chinelo – e mais barato que a generalidade dos demais. Em matéria de qualidade/preço não tem rival, nem de lonje nem de perto.
Ainda por cima, fez a espantosa promoção do 1º de Maio, proporcionando às gentes a única verdadeira festa daquele dia. As outras foram, ou o formalismo requentado da sessão parlamentar, destinada, não a celebrar a Democracia e o direito das pessoas, mas a dar uma oportunidade de palco à oposição, ou a apropriação do dia pelas “massas”, na mesma óptica: apropriar-se da data, desunir, extravazar ódios, cacarejar slogans apodrecidos, aproveitar-se das dificuldades para fazer propaganda de ideias que a História e a moral há muito condenaram.
Ainda por cima aproveitou para dar aos empregados as mesmas oportunidades que aos cliente e pagou-lhes como deve ser o 1º de Maio “laboral”.
A raiva primária com que a esquerda “saudou” a iniciativa (é melhor que o povo pague mais caro, se pagar mais barato for obra dos que a esquerda primitiva – haverá outra? – odeia, por princípio e devoção) é, moral e humanamente, uma vergonha.
Não é menos vergonha é que a senhora ministra aproveite a ocasião para ter um ataque de diarreia legislativa, persecutória e proteccionista.
7.5.12
António Borges de Carvalho

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