Ao ler o imponente artigo do camarada Alegre, anteontem publicado, vemos, de forma elaborada e certamente inspirada por algum economista da tribo, algo comparável ao apelo do major Lourenço.
O camarada Alegre, já que o PREC de esquerda foi travado manu militari, inventa um PREC de direita para legitimar o mesmo tipo de solução. É o capitão Lourenço, desta vez em versão mais rendilhada. “Soluções” expeditas, para obter o tão ansiado resultado: pôr a esquerda no poder. Já o camarada Sampaio, de forma mais sofisticada, usou instrumentos de natureza análoga aos do tão representativo militar.
No pensamento da tribo, a tão incensada democracia, afinal, ou é de esquerda ou não é democracia. Mais ou menos como a República: mesmo tendo presenteado o país com 16 anos de repressão e bagunça mais quarenta de repressão e ditadura, a “cultura” dos alegres continua a confundi-la com liberdade e democracia. Não há nada a fazer.
É certo que o nosso alegre comentador faz, no seu artigo, uma análise da situação que, sendo discutível, é comum a muita gente e até tem alguma lógica, ou seja, não é estúpida nem infundada – razão pela qual o IRRITADO a atribui a um economista tribal, que o Alegre destas coisas sabe nada.
O problema não é a análise, é a conclusão. E a conclusão é que é preciso acabar com a direita, seja lá como for. Se a democracia é estúpida ao ponto de pôr a direita no poder, então que se use outros métodos para acabar com o assunto, os métodos do aspirante Lourenço, os do camarada Sampaio, ou outros igualmente eficazes.
O Dr. Passos Coelho teve o culot de dizer que “temos que mudar o regime económico”. Aí está, no raciocínio brilhante da alegre criatura, a prova de vivermos no tal “PREC de direita”. E com razão: o actual regime económico tem dado tão esplendorosos resultados, que qualquer mexida é um acto criminoso. Não é? Mantenha-se tudo como está, a bem da ideologia e do poder socialista! O que não é socialista é ilegítimo!
Este reformado da RDP, e não só da RDP, onde “trabalhou” seis meses (com certeza por obra e graça do “destino” jamais apareceu na lista da caça às bruxas) acha que o actual governo segue uma política revanchista “ultra liberal”.
Se a ignorância desse dinheiro, o camarada Alegre era multimilionário. Então não é que descobriu que subir impostos, entrar no capital dos bancos, andar à nora para manter os insustentáveis serviços sociais de uma insustentável herança, é política “ultra liberal”?
Com a tribo não se argumenta. As alegres conclusões não dependem do saber, nem da lógica, nem dos sentimentos democráticos do senhor. Não são discutíveis. Aplicam-se, e pronto.
Viva o socialismo!
Viva o Lourenço!
Viva o Alegre!
Viva o golpe de Estado!
Viva a República!
6.11.11
António Borges de Carvalho

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