É sempre com prazer que o IRRITADO lê as opiniões dos que se revoltam contra as tropelias que as legiões de intelectuais e pedagogos que pululam o ministério da educação têm feito ao ensino em geral e à língua portuguesa em particular.
Aos poucos, e aos muitos, o ensino do português tem-se convertido na coisa mais intricada e absurda que imaginar se possa.
Num artigo hoje publicado, vem um professor fazer-se eco das preocupações do IRRITADO e de mais uns milhares de portugueses. O dito professor, rapaz novo, cheio de boa vontade, quer simplificar, dar lógica interna, introduzir exigência, sair da miserável fossa em que o ensino da língua caiu, ainda que a sua prosa tenha sinais da floresta de complicações em terá estudado e aprendido, por vezes não se percebendo bem se critica ou se assume a nova “linguagem” gramatical.
Facto é que o PPEB, firmado no CEL, se sustenta no DT, vindo o DT do AOMALP, afinal uma ressurreição da TLEBS. Estão a ver o problema, não estão?
E não é que o CEL traz uma colheita de conteúdos, terminologia e conceitos complexos, nem sempre claros, e simultaneamente problemáticos? E mais: os ditames do programa que sustenta o CEL situam-se num plano de ponderação meta-pedagógica, não sendo transferíveis de forma linear para a sala de aula.
Evidente, não é?
Consequência lógica deste problema, escreve o professor, é que, se há alunos que não conseguem identificar um complemento directo, como lhes será possível identificarem (sic) um complemento oblíquo, distinguirem (sic) o complemento do nome de um modificador restritivo, distinguirem (sic) os compostos morfossintáticos ou para (sic) determinarem (sic) o alcance total e dispositivo de um predicativo do sujeito?
O nosso professor tem toda a razão. Nem ele, nem os seus colegas, nem português algum será algum dia capaz de perceber a TLEBS, ainda que na sua versão mais simples, nem o que dela decorre para o DT e para o CEL, a fim de deles resultar o PPEB.
Por isso que, como sugere o professor, mais nos não reste que ter a esperança de ver o ministro Crato deitar estes dejectos para o caixote e pôr os meninos a aprender gramática portuguesa de forma inteligível e eficaz.
Já agora, ó Crato, e o Acordo Ortográfico? Não ficava a matar num caneiro qualquer?
4.8.11
António Borges de Carvalho
NB. Não ficaria bem ao IRRITADO se não esclarecesse os seus leitores sobre o significado das tenebrosas siglas a que acima se refere. Assim, DT = Dicionário Terminológico, AOMALP = Acordo Ortográfico e Metas de Apredizagem da Língua Portuguesa, CEL = Conhecimento Explícito da Língua, PPEB = Programa de Português do Ensino Básico. TLEBS não sabe o IRRITADO como se decifra, mas já ouviu falar na coisa. Poderá ser Teoria Lorpa e Engalanada para Baralhar o Sendeiro. Não é garantido. Pode ser pior.

Deixe um comentário