IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA TERNURA

 

De todo o país, bandos de alegres jovens, cheios de entusiasmo, convergem no verde campo. Os passarinhos pipilam, os regatos murmuram docemente, a fresca brisa deste suave Verão acaricia a juventude, dando-lhe força, ânimo, vontade de futuro.

Sob as frondosas e acolhedoras árvores, os jovens tomam posições, organizam-se, preparam-se com esmero para passar uns dias em contacto com a natureza e em ameno e sadio convívio.

Estabelecem as fronteiras do seu refrigério, fronteiras que não são limites mas convidativo sinal a marcar a sua feliz presença e a chamar outros para com eles viver os momentos únicos do seu bucólico beau séjour.

Amantes da Natureza, preocupados com o ambiente e com os destinos da Mãe-Terra, os nossos jovens tudo limpam, tudo arranjam, nem o mais pequeno sinal da sua passagem perturbará, quando se forem, a pureza de tão idílico local.

 

À porta do acampamento, desfraldada, uma delicada bandeira, fremente, ostenta a face heróica do camarada Ernesto Guevara, mais conhecido por Ché, a indicar às gentes a altura moral e cívica do que ali se passa.

Pelos ares, os altifalantes ecoam a branda e meiga voz de meninas pedindo em casamento outras meninas, e a destas, a gritar bem alto o mimoso sim. Os montes e as ervinhas parecem rejubilar, tocados pela meiga sensação do amor das inocentes criaturinhas, tão deleitadas em afirmar os seus direitos e aspirações.

Pelas aprazíveis sombras ondulam rapazes, leves, saltitantes, jubilosos. Como quem distribui olorosas flores, os meninos tiram, de uns cestinhos de verga, tubos de gel lubrificante anal/vaginal e preservativos, produtos bem marcantes dos seus direitos e irreprimíveis ideais, e oferecem-nos, cheios de amor, aos seus camaradas, meninos e meninas.         

Uma alta dirigente da organização, prenhe de entusiasmo, verifica que não poucos jovens, imbuídos do espírito da comunidade, “saíram do armário” no acampamento, isto é (presume-se), deram vazão ao gel.

 

Não se pense que esta exemplar juventude se fica por aqui. Reunidos em círculo, qual távola redonda, cheios de unção, discutem os ingentes problemas das sáficas e larilais práticas que urge defender, propagandear e impor, como sinal evidente da verdade e do direito ao lesbianismo e aos prazeres rectais, e suporte dos inalienáveis direitos dos seus praticantes e, de um modo geral, dos portadores de deficiência sexual congénita ou adquirida.

Dando largas à sua inteligência privilegiada, os campistas, “recuperam Marx” e “reflectem sobre a intervenção do FMI”. “Aqui”, diz uma púbere menina, “ninguém fala por cima de ninguém”. Pois não.

Há até umas italianas que produzem representações teatrais destinadas a “caricaturar o comportamento da sociedade face à homossexualidade”. Lindo.

“Não fiques à rasca, revolta-te” e “repressão policial é terrorismo social”, são dois exemplos das máximas que animam o pessoal, em grandes dísticos, entre as frondosas árvores.

Como o recurso à bela face do Ché bem demonstra o acampamento tem uma “dimensão política”, que fica a matar com “música palestiniana”.

 

Uma delícia, esta juventude. Como se pode imaginar, a Pátria anseia pelo seu contributo, teórico e prático. Vai ser lindo vê-los crescer animados por tão altos ideais.

 

*

Texto concebido a partir de uma reportagem do “Público” sobre o acampamento de Verão da juventude do Bloco de Esquerda.  

 

26.7.11

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “UMA TERNURA”

  1. Avatar de XXI (e não xxi)
    XXI (e não xxi)

    É pena,que, como não a tenho (memória de elefante), o Irritado não tivesse tempo para me relembrar. Compreende-se, tem de ter tempo para estes “devaneios líricos”.

  2. Realmente, a coisa promete. Se bem que até ao final do 4º parágrafo, interroguei-me se seria uma paródia a um discurso do nosso Presidente. É que o tom era o mesmo. Quanto ao acampamento bloquista, sugiro este post antigo do Blasfémias, vale a pena: http://blasfemias.net/2008/08/06/o-hino-da-festa-de-verao-do-bloco-de-esquerda/

    1. Avatar de Lenine & Salazar, Lda.
      Lenine & Salazar, Lda.

      O´ Filipe, de promessas estamos todos fartos aqui (no inferno)!

  3. Os ódios que levam a massacres como o da Noruega,por vezes nascem e criam-se a ler crónicas irritadas,a intolerância,a xenofobia e a homofobia,são marcas da direita ranhosa!!!

    1. E não é que é verdade?! Mal acabei de ler o post, senti uma vontade irreprimível de ir comprar uma sniper rifle, e desatar aos tiros à malta. Só que depois vi o preço, mais o preço das munições, e lembrei-me que ainda tenho por pagar umas férias de há 3 anos em Quarteira, mais a inspecção do carro, e o calote na mercearia. Tudo somado, tive de abortar o plano. Palpita-me que esta “brainwashing” subliminar do Irritado funciona melhor na Noruega, do que em Portugal. Por cá, o Pinóquio e o Passitos já trataram de desarmar a malta. Não lhe parece, caro Merdelão?

  4. Para serem homens e mulheres a sério, para poderem reclamar direitos, deveriam antes do mais dedicar-se, por exemplo, a cortar as ervas e o mato e as canas que bordejam todas as nossas estradas (que não auto-estradas), serviço que era feito por cantoneiros, que recebiam ordenado, sendo que hoje paga-se à malta que não faz a ponta dum chavelho para que continue a não fazer nada e tudo se vai delapidando.Porque não, Senhores Comentadores, aproveitarem uns dias de bom tempo e darem uma volta pela província?Não sei se em Lisboa se tem a percepção do quanto há para fazer pelo País, sem significar gastar muito dinheiro, como é o caso das estradas, caiar muros, pontes, limpar equipamentos colectivos, praias, etc..Por tudo isto e o demais é revoltante tanto subsídio a quem nunca quis trabalhar e este problema vem desde o 25 de Abril.

    1. A merda toda reside no 25 de Abril!!!

      1. Porque não “conversa” com urbanidade como todos os outros mamíferos?

        1. Arreliador “lapsus calami”: Não quis escrever “mamíferos”Queria, certamente, escrever “mamoes”.

          1. Avatar de daniel tecelao
            daniel tecelao

            Continua por aí um filho da puta ordinário a fazer comentários com o meu nome

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