IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PELO SOCIALISMO, MARCHAR, MARCHAR

 

A ilustre câmara de Lisboa vai lançar aquilo a que chama “plano de reabilitação” dos edifícios da cidade. Normal.

Só que, para tal, se prepara para espoliar, por várias formas, os respectivos proprietários.

O princípio de base costo/roseto/fernandino que preside à coisa pode resumir-se assim:

Os proprietários são obrigados a ter dinheiro para recuperar os seus imóveis. Se não o tiverem, a câmara trata do assunto, na certeza que terão que pagar na mesma. Em alternativa “democrática”, serão obrigados a “vender”, isto é, a ficar sem o que é seu, recebendo o que a câmara quiser dar, se quiser dar.

 

Há anos, o IRRITADO fez umas continhas, que aqui deixou, demonstrando, com a maior das facilidades, que, só do 25 de Abril para cá, o mercado, por intervenção pública, ficou a dever aos proprietários alguns biliões de contos – contos, não euros!

 

É evidente que só um louco deixa degradar o que é seu. Se a degradação se deu, já que a maioria dos proprietários não é louca, foi porque os imóveis não geravam os meios necessários à sua conservação. E não geravam porque, desde os gloriosos tempos da I República, o mercado deixou de existir e de gerar tais meios.

 

Nada disto interessa à câmara.

O que lhe interessa é, com a desculpa da reabilitação, entrar na gestão do que lhe não pertence, apropriando-se, arruinando ainda mais as pessoas que andam há um século a ser arruinadas e perseguidas com leis estúpidas e impostos injustos, sem reconhecer seja a quem for o direito que lhe assistiria a uma justa indemnização, isto se não fôssemos “a caminho do socialismo”, como determina a Constituição.

 

É evidente que jamais o Estado ou as câmaras terão dinheiro para repor o que impediram as pessoas de receber, via “políticas sociais” à custa de terceiros seleccionados. Entenda-se. Obrigá-los a pagar o que devem seria como condenar o Estado a restituir aos donos o que o Marquês de Pombal lhes sacou, ou como andar a pedir desculpa da expulsão dos judeus feita pelo Senhor Dom Manuel I no século XXVI.

O IRRITADO não é fundamentalista. Acha é que o princípio de base da câmara costo/roseto/fernandina se deve pôr de pernas para o ar.

Assim:

Os proprietários não têm dinheiro para reabilitar os seus imóveis. Não o têm porque o Estado os impediu de o ter.

Por conseguinte, por razões da mais elementar equidade, o Estado, no caso a câmara, tem que proceder no sentido de lhes pôr à disposição os meios necessários, técnicos, executivos, formais, etc., e de arranjar formas, financeiras, fiscais e outras, de tornar viável a recuperação de parte do investimento pelo qual se responsabilize.

 

O resto é socialismo, e do barato.

 

19.7.11

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “PELO SOCIALISMO, MARCHAR, MARCHAR”

  1. Segundo Kant, o direito de propriedade separa o estado sociedade do estado natureza, porque garante a posse do meu e do teu, mesmo quando afastado de nós. Na gruta paleolítica podiam dar-se umas pauladas e pedradas aos intrusos e expulsá-los da gruta. Por cá, é muito pior! Os ladrões são poderosos. Tem tribunais e polícias ao seu serviço. Nesta crise para o súbdito, que deveria estar protegido pelos direitos art.62 e 65 da CRP ), que foi empurrado para a dependência de usurários autorizados através da destruição do mercado de arrendamento, feita de forma sistemática por um estado criminoso, a única alternativa a deixar-se roubar quando entregar a casa, é transformar em entulho o seu interior, ao abrigo do art.º 21 da Constituição da República Portuguesa, fazendo de conta que jogou dinheiro para o lixo. Os portugueses são um povo de agarrados a banqueiros usurários. Porque é que os Tribunais não começam a fixar e congelar as prestações do crédito à habitação? O Artº 65 da CRP autoriza. Diz o Tribunal Constitucional .E os néscios continuam a chamar democracia a esta merda . Tirania e império de ladrões.E há pessoas que recorrem a rendimentos de salários e pensões para pagar despesas de manutenção quando ameaçados por inquilinos e Câmaras Municipais.

  2. Sr. Irritado, não sou socialista e também sei que não sou alpista senão seria comida de canário. Tento pautar o meu raciocínio em função do direito e do justo. Passados cerca de 40 anos após a Constituição de 1933 havia casas para arrendar. Veja: – Em 1970, regressado da tropa em África arrendei casa em Coimbra e comecei a procurar trabalho. Consegui em Águeda, mudei de casa e arrendei em Águeda. – Em 1971, vim trabalhar para Lisboa e arrendei casa nos Bons Dias junto a Odivelas. – Em 1972, mudei-me para Oeiras onde consegui arrendar. Depois, comprei a pagar em vinte e tal anos. Como vê durante o intervencionismo do Dr. Salazar, o Déspota iluminado e mais alto mandatário ao serviço da Nação a coisa foi funcionando mais ou menos. Penso que o problema não está em qualquer ideologia, embora estas condicionem o pensamento das pessoas, incluindo o seu. Deduzindo que o Irritado é Monárquico, uma forma de soberania que até consegue funcionar com a ausência do Monarca (Canadá, Austrália, …) direi que em matéria de soberanos em épocas monárquicas e republicanas, o melhor e o pior estão nos que se chamam José. – O melhor, D. José I, o Reformador. – O pior, D. José Povinho, o Pacóvio. Ai se houvesse agora um terramoto como o de 1755!!! Imploremos aos nossos Deuses.

  3. A lei das rendas foi implementada pelo terrivel socialista de S Comba Dão,Salazar de nome!!!

    1. Era um grande implantador. Mas aposto que não conseguiria implantar inteligência no cérebro do Sr. Tecelão. Afinal em que ficamos?Quem são os democratas que se aproveitam das leis fascistas?

    2. Engana-se, senhor Tecelão. As rendas foram congeladas durante a I República! Reveja os seus canhenhos.O nosso amigo Picaroto tem alguma razão. Durante grande parte dos anos da a ditadura, a inflacção era pequena, pelo que a degradação das rendas era lenta. Mais tarde, com a inflacção e a desvalorização da moeda em vertigem, as coisas pioraram exponencialmente.O que está errado é a intervenção estatal em assuntos que não são da conta do Estado. Se o Estado queria fazer política social, que deixasse o mercado funcionar e fizesse habitação social à custa dos impostos provenientes das rendas. O que fez foi pôr os particulares a fazer o que lhe competia. O que é uma atitude socialista, seja de esquerda ou de direita. O socialismo, entendido como prevalência do Estado sobre as pessoas, não é só um defeito da esquerda, ainda que, por cá, nela esteja concentrado.

      1. Não me recordo de uma única posição pública sua sobre o assunto enquanto foi deputado.

        1. Seria preciso uma memória de elefante, não acha?

          1. Como não a tenho (memória de elefante), relembre-me.

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