Ontem, a Nação inteira ficou assombrada com a nova postura do senhor Pinto de Sousa.
Como segue:
-
O senhor Pinto de Sousa, mercê das manigâncias da oposição, viu-se na contingência de subscrever um memorando de “understanding” com uns tipos em má hora importados pela dita;
-
O senhor Pinto de Sousa, que não precisava para nada de assinar tal coisa, e que até tinha dito que, pelos seus inteligentes e eficazes meios, estava à altura de resolver todos os problemas que a crise estrangeira causou, sente-se muito justamente revoltado com a situação;
-
Por isso que, para sossegar as massas inquietas, tenha vindo garantir que isso do acordo com os agentes do liberalismo internacional não era coisa para cumprir, era para “estudar”, e depois logo se vê;
-
Mais disse, com a serena certeza da razão, que, como o passado prova, jamais aumentará impostos, nem baixará salários, nem cortará subsídios, coisas que o seu rival não deixará de considerar com prioridades de eleição.
Podemos ficar descansados.
Votemos todos no senhor Pinto de Sousa e teremos brilhante futuro.
*
Para que não restem dúvidas, O IRRITADO repõe a verdade dos factos:
O homem tem toda a razão. Puseram-lhe à frente um documento em inglês, língua remota e bárbara. Ele julgou que estava a comprar uma moradia na Quinta do Lago a um offshore das Bahamas. A preço de favor, como soe gostar.
Além disso, como não faz ideia do que quer dizer “unsderstanding”, já confessou ao Lelo que não tinha understado nada da escritura. Mas o Lelo, coitado, não tem capacidade mental para explicar seja o que for.
Quando o nosso homem foi confrontado com a tradução do papel, chegou à conclusão que continuava a não perceber patavina, a não ser que tinha ficado sem a casinha, o que muito o agastou. Ainda por cima, pensou, cheio de razão, que a oposição se estava a aproveitar da sua infeliz situação.
Daí ter-se visto obrigado a repor a verdade. “Assinei, pois, mas fui obrigado. Não vale”.
Verdade verdadinha é que anda meio mundo a abusar da inocência do senhor Pinto de Sousa. O resto é conversa da reacção ultra/hiper/super liberal.
1.6.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário