Acho muito estranho que ainda não tenha – que eu saiba – havido um único comentador, jornalista, político, etc., a reparar que, no comício, dito congresso, do partido socialista, não tenha havido nem mãozinhas fechadas, à moderna, com rosas de (mau) design, nem à antiga, com o velho punho ameaçador, nem bandeiras vermelhas, sequer cor de rosa. Nada.
Nas patas dos carneiros tremulavam bandeiras da república! Sim, meus amigos, só bandeiras da república!
Desde os já remotos tempos do Doutor Oliveira Salazar não havia manifestações, comícios, congressos, o que lhes queiram chamar, convocados por partidos, onde só se usasse a bandeira da república.
A mensagem, subliminar mas evidente, é a seguinte: nós, PS, somos a república! Como a União Nacional era a Nação. Tal e qual, sem tirar nem pôr.
O socialismo, fascista, nazi, corporativista, bolchevista etc., sempre quis, e às vezes conseguiu, confundir o partido com a Nação. No caso em apreço, confundir o PS com a república.
Têm o poder, têm o chefe, tem a multidão arregimentada e, com a prestimosa ainda que estúpida, ou paga, mas sempre entediante colaboração da “comunicação social”, tentam enfiar nas meninges das pessoas que são únicos, que ou eles ou o dilúvio, que têm tais e tantas virtudes – o pecado e o erro são-lhes alheios – que só eles podem representar a Nação e fazer dela o que entendam. Como sempre, o problema é que (ainda) há muitas cabeças onde esta “patriótica” mensagem faz caminho, mercê da ululante gritaria das “massas”.
O IRRITADO já por várias vezes se tem feito eco da opinião, sua e de muita gente, que postula ser o senhor Pinto de Sousa um tiranete “democrático”, só não o sendo au complet porque o ambiente internacional não está para essas aventuras.
Mas a mentalidade – a insistência em se considerar um santo rodeado de horríveis pecadores, a não assumpção seja de que erro ou falhanço for – é própria dos ditadores, gente com quem, aliás, o senhor Pinto de Sousa se dá como Deus com os anjos.
A diferença substancial entre o tiranete da parvónia e Salazar, não é a pulsão autoritária ou a propriedade exclusiva da razão.
Salazar era, à sua maneira, competente. Sabia o que fazia, ainda que por meios de legitimidade mais que duvidosa. Ao contrário, o senhor Pinto de Sousa é ignorante, incompetente e irresponsável. Tem legitimidade, ainda que mitigada, mas, coitado, não tem ambiente que lhe propicie a criação do poder total ou de uma PIDE qualquer. Senão…
Algo me diz que as bandeiras da república continuarão, não a ser respeitadas como é de obrigação, mas a ser usadas partidariamente, em exclusivo, durante a campanha de enganos, trafulhices e acusações bandalhas que aí vem.
Algo me diz também que os comentadores, os jornalistas, os intelectuais e os políticos da nossa pobre praça continuarão a não dar por nada.
13.4.11
António Borges de Carvalho

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