Ora vejamos o que aconteceu ou se soube que aconteceu, só nos últimos dez dias:
- As despesas do Estado com aquisições de bens e serviços subiram seis por cento em 2011 (3 meses);
- O défice de 2010 passou de 6,8 para 8,6, sendo certo que a nova contabilidade era conhecida desde Junho;
- 100.000 euros é quanto vai custar a inauguração da CRIL;
- O governo legislou aumentos milionários para os “ajustes directos”.
Quatro amostras de desvarios canalhas, cujas culpas, na opinião da matilha socialista, devem ser do PSD. Ainda não descobriram como, mas hão-de descobrir.
A primeira não teve resposta nem desmentido.
A segunda foi “justificada” com as alterações do sistema do Eurostat (uns malandros!), que obrigou a meter na despesa coisas que lá não estavam. Imagine-se o que aconteceria se todas as despesas que foram desorçamentadas por esta gente – olhem as estradas, por exemplo – fossem metidas nas contas. Há quem diga que o défice não seria inferior a 14%! A “justificar” o largamento do buraco, diz também o governo, que há culpas do submarino, despesa classificada como extraordinária (!) mas que há uma data de anos se sabia cair em 2010.
A terceira, embora cheire a poisson d’avril, está por desmentir. Como se enquadra nos hábitos megalómanos do governo, é capaz de ser verdade.
A quarta contém uma componente psiquiátrica: a mania das grandezas é uma doença mental devidamente identificada. Rezam as más-línguas, por outro lado, que, neste caso, é capaz de haver outra componente, conhecida por propiciatória. É que, quanto mais à vontade houver para comprar, mais fáceis serão as gentilezas.
Estamos a falar de dez dias! Só de dez dias. Multipliquem por 36 e vejam como se asseguram défices anuais cada vez maiores.
Esta gente não pára de fazer uma coisa e jurar a contrária.
Mesmo assim, diz-se por aí, ainda tem 30% de intenções de voto. Que país é este? Já não sei.
2.4.11
António Borges de Carvalho

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