De dona Helena Garrido, muito conhecida lá em casa:
O frágil estado em que começa a estar a classe política limita perigosamente a sua capacidade para combater a implosão social sem controlo da revolta.
Julga o IRRITADO que o que a senhora quer dizer, posto o texto em português, será qualquer coisa deste género: Se a classe política não arranja maneira de se prestigiar, será difícil conter a revolta das pessoas.
Por outro lado, notemos o uso da palavra “implosão”, aplicada para significar exactamente o contrário do que significa.
Nada disto impede que a senhora “comente”, nem que as suas lapidares frases sejam citadas, com o devido destaque, na nossa tão culta imprensa.
De dona Catalina Pestana, ex dirigente de várias coisas:
A ética republicana está pelas ruas da amargura.
Como é que uma coisa que nunca existiu ou, se existiu, foi pela negativa, pode estar pelas ruas da amargura?
Do senhor Rogério Chambel, seja lá ele quem for:
A escola é um mundo onde a violência anda à solta. Está na fila da frente e nunca falta.
Não sei se será. Quem isto lê, há-de pensar que “a escola” – todas as escolas – é uma espécie de coliseu, com gladiadores, facas, feras e defuntos. Não é verdade. O que é verdade é que se pretende fazer entrar o “crime” nas escolas, a substituir umas coisas que usavam chamar-se disciplina e autoridade. O que é crime é crime por ser crime, não há crimes “especiais” por ser praticados dentro das paredes de uma escola. Há aqui duas tendências, qual delas a mais perigosa: criar leis “especiais” e desresponsabilizar quem é ou devia ser responsável nas escolas. A “entrada”, nas escolas, de uma miríade de novos sujeitos com “competência escolar” (alunos, pais, empregados, ministérios, governo, etc.) em vez de criar “comunidades escolares”, serviu para que todos se desautorizassem uns aos outros. Responsável é sempre “o outro”.
A frase em apreço é de um alarmismo e de uma irrealidade a toda a prova.
23.1.11
António Borges de Carvalho

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