A EDP mandou para os jornais um monumental relambório sobre os seus heróicos feitos. As energias renováveis, hídrica e eólica, são as jóias da coroa.
Muito bem.
O problema é que, em duas páginas de alta e encomiástica filosofia, ficámos a saber o valor, presume-se que de venda, de cada uma das fontes de energia, mas não ficámos a saber quanto custou cada uma delas, quais os compromissos financeiros que trouxeram, em suma, qual a sua real produtividade. Quanto em subsídios do Estado? Quanto em subsídios da União? Quanto em pêpêpês? Quanto nos sai do bolso e quanta energia recebemos por cada euro que lá pusemos? Como se compara os custos de uma fonte e de outra? Quais os critérios com que são feitas as contas? Quando o break even dos moinhos? Como?
Se eu acreditar no que foi publicado, ficarei a saber, por exemplo, que a energia dos moinhos de vento representou, em 2010, 6,4% da factura energética ao consumidor.
Se quiser guiar-me pela factura da EDP, verificarei que a energia eólica fornece à rede 38,8% do que me chega a casa.
Problema insolúvel. Alguém está a enganar alguém. O segundo alguém sou eu.
Com enorme generosidade, a EDP fornece ao povo ignaro, num site dedicado ao assunto, as fontes de energia utilizadas, as emissões atmosféricas provocadas e os resíduos radioactivos produzidos. Quanto a custos/benefícios, zero. O povo ignaro terá direito a tudo menos a saber porque paga o que paga.
Sobretudo, o povo ignaro não tem o direito de saber o que lhe custam os moinhos de vento, ainda menos as centrais térmicas em stand by para os dias de calmaria.
Tem, em contrapartida, o direito de saber que paga uma “contribuição áudio-visual”, acrescida de IVA! E sabe também que paga IVA pela “potência contratada”, ainda que não saiba o que isso é, e pela “taxa de exploração”, que também não sabe o que é. Tem o direito a saber que, nestes como em muitos outros casos, paga impostos sobre impostos, isto é, que quanto mais pagar mais paga pelo que já pagou.
De resto, fica in albis.
Uns artistas, estes tipos da EDP e dos impostos!
17.1.11
António Borges de Carvalho

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