– Ó Teixeira, que achas?
– Zéquinha, meu filho, isto não está famoso…
– Então?
– Sacámos dois mil e cem da Telepompom, e já só temos oitocentos!
– De sobra?
– Quer dizer… enfim… se lhes quiseres chamar sobra… se calhar a verdade é que gastámos mil e trezentos. Mas tu é que sabes.
– Pois, pá, então vamos fazer assim: dizemos à canalha que as contas estão certas, que está tudo conforme previsto e que até temos dinheiro a mais!
– E achas que pega?
– Claro que pega, filho. Não pega sempre?
– Vai pegando…
– Ora bem. Se houver perguntas chatas, tu atiras com uns números e, como ninguém percebe nada, não há problema.
– Bom, vão dizer que faltam as contas da farmácia, pá, e sabes bem a desgraça que aquilo é. Se as metêssemos ao barulho não sei o que aconteceria.
– Não se fala nisso, deixa-se para mais tarde!
– Há outra coisa…
– Quê?
– Esse marmanjo do Bando de Tuntugal, no mesmo dia em que vamos falar, pôs-se com bocas a dizer que a firma em 2011 vai para o buraco?
– Não quero saber disso para nada. Esse gajo é uma besta. Desmente-se. Ele diz que vamos perder 1,3, mas eu chego à Alemanha, mudo o sinal à coisa e digo que vamos ganhar 1,3. Percebes? Deixa que eu trato disso.
– OK. E a outra tipa lá do Bando que se pôs a dizer, na mesma altura, que o FunFun é que era bom?
– Essa gaja que se lixe! Desmente-se e acabou-se. Não há FunFun nem meio FunFun!
– E se nos virmos obrigados a chamá-lo?
– Nessa altura logo se vê. Não é o que temos feito sempre?
– Cá por mim acho que já cá devia estar há muito tempo.
– Se achas é uma gaita. O melhor é deixares de achar. Logo se vê e acabou-se.
– Bom, então vamos lá enfrentar a canalha.
– A canalha é que me enfrenta! E, como acontece há 6 anos a esta parte, vai comer o que eu lhe der.
– Bom, então vamos a isto.
– Porreiro pá, isso é que é falar. ‘bora ir!
12.1.11
IRRITADO

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