Os jornais britânicos, em uníssono, acham que, afinal, o casal MCann não é tão angelical como tem feito crer.
O IRRITADO não faz a mais pequena ideia sobre as culpas e as não culpas do tal casal no desaparecimento da filha.
O que não quer dizer que ande de olhos fechados.
O que o IRRITADO, como toda a gente, vê, é o que segue:
- O Dr. Gonçalo Amaral acha que os fulanos têm culpas no cartório;
- Os fulanos acham que não têm;
- Os britânicos andam para aí a colaborar com o Dr. Amaral, fornecendo até canídeos especializados;
- Os cônjuges passam a arguidos.
Eis senão quando, já não sei bem como:
- Os cônjuges deixaram de ser suspeitos, deixaram de ser arguidos e regressaram sossegadamente a casa;
- O Dr. Amaral é desautorizado, corrido da investigação, fica sem emprego e sem carreira, passa a ser personna non grata para quem, por cá, manda nestas coisas;
- Os cônjuges, entretanto, ganham rios de dinheiro, apresentam-se com secretárias, assessores de imprensa, relações públicas, etc., vão ao Papa e não sei mais onde;
- Chegam ao ponto de receber nada menos de 550.000 libras de uns jornais que têm o desplante de dizer sobre eles coisas menos agradáveis;
- O Dr. Amaral publica um livro relatando as suas investigações e as conclusões prévias a que chega;
- O casalinho vê aprovada uma providência cautelar em que propõe o esbulho dos livros publicados e a proibição da sua venda;
- O caso ainda anda e andará pelos tribunais;
- O Dr. Amaral está arruinado, sem emprego e sem sequer poder vender o livro onde conta o que julga saber, porque os tribunais o censuraram e continuam a censurar.
Eis a nossa Justiça. A que deita fora o que não convém ao governo, a que se prepara para mandar em paz os homens do “face oculta” e outros mais, a que anda entretida com sindicatos, reivindicações de dinheiro e privilégios. A que faz censura para esconder o que lhe pode ser inconveniente.
A Justiça que temos. Como é que se sai disto?
17.12.10
António Borges de Carvalho

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