IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MORRER É BOM?

 

Para que não se diga o contrário, convém começar por declarar que tenho muita pena que o Doutor Hernâni Lopes tenha deixado o mundo.

 

Nos últimos tempos, todos ouvimos o Doutor Hernâni Lopes dizer de sua justiça sobre a nossa situação económica, financeira, cultural, social e moral.

Todos o ouvimos dizer que os salários da função pública deviam ser reduzidos em 15, ou 20 ou 30 por cento.

Todos o ouvimos demonstrar que o caminho que as contas públicas tem trilhado nas mãos desta gente, nos levará direitinhos para as mãos do FMI.

Todos o ouvimos dizer que o FMI, coisa que ele conhecia como ninguém em Portugal, seria de evitar, mas que não era o papão por aí propagandeado.

Ouvimo-lo dizer muito mais coisas, sempre cheias de bom senso, de oportunidade e de realismo.

 

O senhor morreu. Por toda a parte se acotovelam os seus panegiristas. Da extrema-esquerda à direita, o coro é unânime, a saudar a sua competência, a sua honestidade, a sua dedicação ao serviço público, um ror de qualidades que não passa pela cabeça do IRRITADO pôr em causa.

 

O que é engraçado, ou seja, não tem graça nenhuma, é ver que toda esta gente, sobretudo a que tem o poder e que se desfaz em ditirâmbicos elogios, se está nas tintas para toda e qualquer opinião formulada pelo finado.

Nem um só dos seus conselhos foi seguido. O Doutor Hernâni Lopes foi, enquanto vivo, quando muito recordado como o ministro dos apertos do passado. Boa pessoa, mas a merecer nenhum crédito.

 

Agora, esta malta toda desata aos gritos que se tratava de um dos melhores de todos nós. Em vida, t’arrenego, que só dizes asneiras. Depois de morto, passou a herói. Desde que nada do que ele disse se aproveite.

Não é possível ser mais cínico.

 

Se o Doutor Hernâni Lopes, lá do alto em que tão firmemente acreditava, assistir a estas cenas, por certo não lhe faltará pensar que é capaz de valer a pena ter morrido. Para haver tanta gente a elogiá-lo. A ele, já que, às suas ideias, nem cheirá-las.

 

8.12.10

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “MORRER É BOM?”

  1. Apetece-me comentar este post da seguinte forma;Uma coisa é uma coisa,outra coisa é outra coisa!Se quem governa o país,bem ou mal não vem ao caso,fosse permeável a todas as opiniões que ilustres cabeças todos os dias vertem sobre o país,estava tramado.Ou mellhor, se calhar quem estariam já tramados eram os funcionários publicos que já viviam com menos 30% de proventos.Tenho o maior respeito pela memória do Dr Hernani Lopes,não aproveitemos a sua partida para oytras coisas!

    1. Pois, como diria a minha prima.Mas as oytras coisas é que interessam.A hipocrisia nada vale.Já agora, quero dar-lhe uma novidade.É que o país já está tramado há uns bons anos. Mais propriamente desde que elegeram o aldrabão e falsificador Guterres, que acabaria trazendo para o governo esta espécie de vígaro circense que o avençado tecelão tanto idolatra.

      1. De sicranos e beltranos manhosos, rasteiros e lacaios,desgraçadamente está este país cheio.E só alguns artolas pensam que começou a encher na época Guterres.

  2. Voltaire dizia qualquer coisa no estilo do Irritado: “Ele era óptima pessoa, grande amigo, grande patriota, tudo do melhor… desde que esteja realmente morto”.Claro que ninguém quis saber, enquanto foi vivo, do que Ernâni dizia. E menos ainda se preocuparam em seguir os seus conselhos que – constatamos só agora pelo uníssono lamento colectivo – eram preciosas pérolas de sabedoria. Num dos seus últimos programas, o exaltado (por sinal uma pessoa calma, mas postumamente tão estimado…) economista mostrou um quadro onde se liam as virtudes que deveriam sobrepujar aos defeitos da nossa classe política (ex: em vez de improviso, planeamento; em vez de promessas, trabalho; etc.).Também disse que era absurdo aumentar os impostos em vez de reduzir a despesa e que se deveria cortar nos vencimentos de funcionários públicos, incluindo ministros, com “um corte na banda dos 15, 20, 30% – 15 sem dúvida, 20 provavelmente”.Já não viveu para ver a pouca-vergonha que têm sido as excepções ao que determinou de sacrifício, por isto e por aquilo, uns porque o mercado empregador iria atrair os quadros das empresas público-privadas (está-se mesmo a ver, não é?), outros porque o César açoriano precisa de ganhar eleições – e o patife socratiano precisa não perder o seu apoio.No tal quadro, o defunto professor esqueceu-se afinal de referir “em vez de encómios a mim fora do tempo, tenham vergonha na vossa cara, já”.

    1. Caro Manuel, Quanto ao resto, de acordo, mas certamente não acredita que alguns quadros das empresas público-privadas, não seriam aliciados por empresas sem escrúpulos? Tremo ao pensar o que aconteceria, por exemplo, se apanhassem o Dr. Rui Pedro Soares com menos 5% do vencimento. Da NASA ao Deutsche Bank, imagina o corrupio de ofertas tentadoras? Ou quadros de empresas como a EPAL, a Estradas de Portugal, a GALP (destaco o Dr. Fernando Gomes), etc etc., que são em muitos casos exemplos de boa gestão e boas práticas, em grande parte devido aos seus exemplares gestores, nomeados por confiança política? Temos de manter estes cérebros em Portugal; nenhum investimento é excessivo, para este objectivo nacional. Um abraço,FB

      1. “Temos de manter estes cérebros em Portugal”Se possível, em formol.O do tecelão também. Mas será impossível encontrá-lo sem recorrer à nanotecnologia.

        1. Não é necessário recorrer à nanotecnologia. É suficiente comparar ao das lagostas.

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