Num dos seus súbitos ataques de amor pela humanidade, ou pelos “trabalhadores”, os nossos partidos comunistas preparam-se para propor a proibição dos transgénicos em Portugal.
Desde o dia em que o primeiro homo erectus pegou numa moca para matar um coelho que o Homem vem transformando a Natureza, servindo-se dela para sobreviver e melhorar a sua vida. Quando o primeiro homo sapiens escavacou uma pedra para obter uma objecto cortante que o Homem vem modificando o espaço natural em que vive.
Desde tempos imemoriais que o Homem deixou de se alimentar do que a Natureza “natural” lhe fornece gratuitamente. Desde tais tempos que o Homem transforma, modifica, melhora, acrescenta valor aos frutos da Natureza.
Hoje, não comemos uma azeitona, uma uva, um melão, um bife, não bebemos um copo de leite, nada, que não tivesse sido geneticamente alterado ao longo dos tempos, via enxertos, cruzamentos e outras técncas, ou seja, via manipulações genéticas. Não vestimos nada que não provenha, ou de manipulações genéticas da flora e da fauna, ou de alterações de inertes.
A ciência e a economia dos tempos modernos aperfeiçoou e enriqueceu os métodos tradicionais de transgenias (alterações genéticas), abrindo novas fronteiras à produtividade da Natureza e à sustentabilidade da vida humana.
Os novos métodos, com extremos cuidados e experimentações prévias, foram introduzidos nos mercados sem que, até à data, se verificasse fosse que inconveniente fosse para a saúde humana.
Perante isto, dizem os profetas da desgraça que, por exemplo, se desenvolverão novas pragas de difícil erradicação. Talvez. O que haverá a perguntar é se tal ou parecido não tem acontecido sempre, ao longo dos tempos. É evidente que toda e qualquer modificação que o progresso científico e tecnológico introduza nas nossas vidas, como tudo nas nossas vidas, terá sempre os seus senões. O que se exige é que se atente ao balanço custo/benefício de cada intervenção.
Mas, e aqui é que bate o ponto, as transgenias modernas são fruto de monumentais investimentos que, legitimamente, se querem remunerados e que, de outra forma, não existiriam.
Então, dizem as boas almas, o que há a fazer não é vigiar eventuais especulações ilegítimas, mas sim acabar com os investimentos e, por extensão, com os transgénicos.
Nada que agrade mais aos partidos comunistas. O que interessa é acabar com os lucros de alguns, mesmo que milhões deixem de ter acesso aos alimentos que tais lucros proporcionariam. É a velha luta “contra o capital”, ou seja contra o capital que não seja do Estado, isto é, idealmente, do partido.
O IRRITADO saúda a coerência do Louça e do Jerónimo, ainda que a coerência só seja uma virtude quando se é coerente com o bem.
5.12.10
António Borges de Carvalho

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