No mesmo dia em se soube que os juízes portugueses são, proporcionalmente aos ganhos dos portugueses em geral, dos mais bem pagos na Europa, e extremamente bem pagos nos mais altos escalões da carreira, a sinistra figura do presidente dessa coisa medonha que se chama ASJP (Associação Sindical dos Juízes Portugueses) aparecia a protestar contra a “descriminação negativa”, perdoe-se o pleonasmo, de que os dignos magistrados são inocentes “vitimas”.
Quase simultaneamente, vinha a lume um relatório “europeu” que diz que “Portugal é dos piores a fechar casos pendentes nos tribunais”.
Dois dias antes, um jornal referia o número de queixas de cidadãos contra juízes registado este ano pelo Provedor de Justiça: 146.
Comentários para quê?
A não menos sinistra figura do bigodaças da FENPROF anda pelo país a denunciar os “roubos e assaltos” de que a distinta classe dos professores é também inocente vítima.
As contas são estas:
Como é do conhecimento geral, depois de um ano de gritaria, os professores, sob as ordens do bigodaças, conseguiram sacar ao Estado (à cobardia do governo!) a módica quantia de 400.000.000 de euros.
Havendo 150.000 professores, cabe em média a cada um 222 euros por mês (12 meses). Se, como consta, cada professor custa em média 1.500 euros ao Estado, teremos um aumento médio de 15%.
Nada mau, dir-se-á. E ainda melhor se, vendo a função pública os salários reduzidos em 5%, para os professores tal redução é feita sobre salários aumentados 15%, o que significa que a redução, para eles, é menos que para os outros. Um vencimento de 100, para um funcionário qualquer, passa a 95. Para um adepto do bigodaças passa a 109,25.
Dois exemplos de como são os que melhor estão os que mais protestam. Ou os que têm o PC por trás.
27.10.10
António Borges de Carvalho

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