O IGESPAR, pressurosa instituição pública que sucedeu ao trambolho que se chamava IPAR, ou parecido, entidade ultra-socialista que se arroga poderes imensos sobre aquilo que é dos outros, além da sua “gestão”, resolveu meter-se com um cartaz que apareceu no Chiado, a tapar as obras de um prédio. O cartaz é branco, tem uma senhora com um vestido azul e umas frases de publicidade a um armazém qualquer. Nada de chocante. Pelo contrário, é uma “ilha” branquinha num mar de borradas que cobrem as obras da cidade, as do Estado incluídas.
Parece que a CML autorizou o tal cartaz – e cobrou a respectiva taxa, pois então, ainda que o espaço lhe não pertença.
Vai daí o IGESPAR opôs-se. Que não, que o cartaz está desenquadrado, que não respeita um edifício histórico, que pópópó e pópópó.
Ocorre perguntar porque é que o IGESPAR não interveio quando o Costa mandou pintar – e pagou – por maluquinhos pinta-paredes um quarteirão inteiro da Fontes Pereira de Melo.
Se calhar, nos altíssimos critérios do novo trambolho, tratava-se de “arte”, o que não é o caso do prédio do Chiado. Se os tipos das obras as tapassem com uma coisa toda rota e toda suja, como é o caso que, mais abaixo, se passa a esquina da Rua Ivens, o IGESPAR achava muito bem.
Altos critérios da coisa pública.
20.10.10
António Borges de Carvalho

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