Foi notável a sessão de Prós e Prós com que o “serviço” público de televisão quis brindar os ignaros.
No palanque como na primeira fila e, é de julgar, na douta e abonecada assistência, com alta profusão de velhas loiras, amontoava-se, muito compostinho, um sem número de defensores da excelência do 5 de Outubro.
O pior, ou o melhor, foi que os debitantes de opiniões eram historiadores. Pelo menos foram como tal anunciados.
O IRRITADO presta homenagem aos ditos pela forma como não conseguiram disfarçar a real realidade da I República, ficando claro, aos olhos dos espectadores, a desgraça nacional que ela foi.
Não é possível deixar de comparar o que se ouviu às opiniões do Avante! e quejandos sobre o comunismo soviético. Diz essa gente que a coisa correu mal, mas que as receitas marxistas-leninistas não deixam por isso de ser as melhores.
O mesmo se passou no prós e prós. Sem contras. Isto é, os ilustres historiadores em praça concordaram em que a I República não podia ter sido pior, mas que blá, blá, blá, a modernidade, o registo civil napoleónico, o divórcio, as perseguições religiosas, laborais e civis, a ausência de liberdade de expressão, etc., tinham sido contribuições altamente positivas para a Pátria e que, por isso ou apesar disso, o 5 de Outubro foi porreiro, pá.
O camarada Jerónimo não conseguiria melhor.
Para supremo gozo do IRRITADO, o prós e prós – se é que alguém que se veja assistiu à manifestação – foi porreiro pá.
É que quem viu e ouviu não pode ter deixado de se perguntar por que raio de carga de água se comemora esta porcaria e não se comemora a Batalha de Alcácer-Quibir. Esta, ao menos, teve dignidade.
6.10.10
António Borges de Carvalho

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