Principescamente instalado no Palácio Palmela, o senhor Procurador Geral da República disse às aparvalhadas massas a seguinte extraordinária “verdade”:
Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra.
Coitado! Já se sabia que o homem, para além de funcionar como escudo das instituições, leia-se, do primeiro-ministro, é especialista em meter os pés pelas mãos, em não fazer a menor ideia de como se dirige a sua gente, em tê-la em roda livre, em aguentar uma senhora que parece ser a sua número dois e que só faz asneiras, em esconder e depois destruir despachos seus que são documentos do mais alto interesse público, etc.
Agora, veja-se a modéstia, descobriu que é importante comparar-se publicamente com a Rainha de Inglaterra. O que, antes de mais, prova que o senhor não tem no bestunto a mais remota ideia do que seja Sua Majestade. Depois, que o seu alto pensamento acha que tem os poderes da Chefe de Estado de mais de uma dezena de países em que é objecto do respeito e do orgulho das gentes, cuja soberania exemplarmente representa.
É legítimo pensar que o senhor em causa considera a comparação interessante com o eventual objectivo de convencer as pessoas da triste circunstância, pensa ele, de lhe não chegar os poderes que tem. Quer mais. Para quê? Para promover o senhor Pinto de Sousa a PM vitalício?
Haverá alguém que lhe faça perceber que está a mais, ele, a sua número dois e mais uma data de gente que só serve para arranjar confusões, para dar o dito por não dito, para tornar obscuro o que tem obrigação de esclarecer?
3.8.10
António Borges de Carvalho

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