IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MARAVILHAS DA MORAL REPUBLICANA

 

Pacheco Pereira (o historiador, não o político) escreveu um artigo digno de nota, ou mais digno de nota que outros.

Para quem, como o IRRITADO, quando escreve sobre as comemorações da “república”, prefere citar autores republicanos, César de Oliveira, Vasco Pulido Valente, etc., sempre historiadores sérios que, como tal, não podem deixar de dizer a verdade, é um consolo ver Pacheco Pereira opinar sobre a I república, confirmando, como qualquer pessoa minimamente isenta, as opiniões do IRRITADO a respeito de tão brutal desgraça.

 

Diz ele, por palavras suas, que as actuais comemorações andam, pelo país inteiro, a injectar aldrabices pseudo-históricas na cabeça de criancinhas inocentes e de adultos crédulos e ignorantes. Não são comemorações da república em geral, mas da I república em particular. Coisa que, tem dito o IRRITADO, merece tudo menos ser comemorada.

Os filhos da viúva que ainda por aí vegetam, os jacobinos que ainda não deram pela obsolescência própria, os mários soares, os alegres & companhia, esperneiam que nem porcos no dia da matança, a gritar que a II república não foi uma república, que esta é a segunda, não a terceira, e outras concomitantes bacoradas “históricas”.

 

Vejamos algumas das constatações da realidade histórica, escritas por Pacheco Pereira, historiador.

O que se anda para aí a comemorar, diz ele, é a I república, “através da imagem laudatória e mítica que se fixou nos anos de oposição ao regime do Estado Novo”. E continua, na senda do que o IRRITADO não se tem cansado de dizer: “o regime de Salazar e de Caetano não só foi republicano na forma, como o foi muitas vezes mais do que na forma, na essência, sendo que a Salazar se deve o fim da querela república-monarquia que até aos anos 50 se mantinha viva. Só que era outro tipo de republicanismo, não o que estamos a comemorar.”

A I república, diz Pacheco Pereira como o IRRITADO tem dito, “era intolerante, pouco democrática, anti operária, anti sindicalista, tão corrupta como todos os regimes, tinha uma clientela venal e convivia bem com milícias violentas bem como com o embrião de uma polícia política, a partir da qual a própria PVDE, depois PIDE, depois DGS, evoluiu. Havia eleições, mas dificilmente se podem considerar mais que um simulacro… num sistema que funcionava na base do clientelismo e do patrocinato, a favor do Partido Democrático… Havia mais censura do que se imaginava e as perseguições políticas eram comuns, assim como o número de presos e de deportados… assassinatos políticos, em particular a célebre noite sangrenta…”.

O Estado Novo (a II república), segundo Pacheco, “instituiu todas as formas de violência”. O constitucionalismo monárquico, “que os republicanos ajudaram a denegrir era, esse sim, muito mais tolerante que a I República. Basta ler As Farpas… os Pontos nos is, o António Maria, a Paródia, para o perceber.

 

Só falta a Pacheco Pereira, como bom republicano, chegar à conclusão lógica do seu pensamento: a república, tanto na sua primeira como na sua segunda versão, não é coisa que se comemore, mas que se abomine.

 

… convém não nos iludirmos, diz Pacheco… (quanto a que) as comemorações deste ano conseguiram ultrapassar de forma significativa a visão do republicanismo maçónico e jacobino, preso à mitificação da I república, e sem perspectiva crítica”.

 

Pacheco fecha o escrito com um “Viva a República!”, o que só nos diz até que ponto um republicano sério pode sê-lo sem recorrer às aldrabices institucionalizadas em que um país inteiro se vê mergulhado durante o ano inteiro.    

 

19.7.10

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “MARAVILHAS DA MORAL REPUBLICANA”

  1. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Quando se trata de monarquia/republica,este blogue teima em confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.Acaso a nossa monarquia que mantinha o povo na miséria e no obscurantismo deve ser chorado.Só por mero facciosismo!!!

  2. Ora viva!Como mero leitor deste blog – que o leio desde 2007 – costumo comparar as opiniões do António às minhas. Por vezes, para constatar as diferenças, outras para perceber quão certo ou errado estou. Neste caso, estou como leigo, pois sei muito pouco sobre a a história da nossa República. Conheço apenas os lugares comuns, por isso tudo isto é novo para mim.Um abraço…shakermaker

    1. Caro ShakermakerA este respeito, e sem querer armar em paizinho, recomendaria dois livrinhos, ambos escritos por insuspeitos republicanos, um, digamos, centrista, outro da esquerda do PS, infelizmente já falecido:- “O Poder e o Povo”, de Vasco Pulido Valente;- “O Sindicalismo e a Primeira República”, de César de Oliveira.Pelo menos o primeiro está nas livrarias.Ficará com uma ideia do que foi a Primeira República, a tal que andam para aí a comemorar, por dez milhões de euros.ABC

      1. Ora viva!Caro António, obrigado pela sugestão e sobretudo pela atenção. Vou ser prático e experiementar o livro do Pulido Valente, até porque estou mais familiarizado com o que escreve. Depois, logo se vê. Uma coisa é certa: vou ficar bem mais informado.Mais uma vez, o meu muito obrigado!Um abraço…shakermaker

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