IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


QUATORZE JUILLET

 

As datas comemorativas, mais do que o se passou na que lhes deu origem, têm o valor que as pessoas lhes atribuem.

 

Comemora-se hoje a chamada queda da Bastilha. À prisão da Bastilha atribui-se o valor de odiado símbolo do ancien regime, tenebrosa prisão onde o peuple era encerrado, acorrentado e faminto, pela simples razão de ser peuple.

E, no entanto… No entanto, no 14 de Julho de 1789, havia cinco presos na Bastilha, quatro dos quais aristocratas, um plebeu, todos criminosos de delito comum.

O comandante da Bastilha, perante a fúria da imensa populaça que por ali se juntara, viu-se na contingência de negociar com ela, a fim de evitar a destruição do monumento. Dessa negociação resultou um acordo rezando que, em troca da libertação dos presos, os atacantes se comprometiam a não destruir o edifício e a poupar a guarnição. O resultado foi que os criminosos que estavam na cadeia foram à sua vidinha, os paióis da Bastilha detonados, a torre arrasada e mortos o comandante e a guarnição.

 

Depois, foi o que se sabe. O Roi Louis viria a ser decapitado, etc. e tal. Anos e anos de terror republicano, a fazer inveja aos mais violentos torcionários do ancien regime.

Até que, corolário de voltas e reviravoltas, havia de vir o Imperador corso lançar a Europa num banho de sangue.

Passado mais de um século, nasceria em França a democracia moderna, de que os franceses se gabam autores sem curar que foram os ingleses quem a inventou séculos antes, e a custos humanos gigantescamente inferiores.

 

Um bom símbolo dos sentimentos que inspiraram a coisa é a, ainda vivíssima, “Marselhesa”. Os féroces soldats qui viennent… égorger nos fils et nos compagnes não são, que ideia, os ingleses ou quejandos. São os próprios franceses, os que não aderem à révolution, os que são menos citoyens que os outros. E os nobres desejos dos revolucionários são os de ver o sangue de tal gente, seus compatriotas, versé dans les sillons.

 

Ao longo dos anos, os símbolos vão adquirindo um sentido que, posso admitir, já não tem a ver com a história que lhes deu origem.

Não deixam às vezes de ser, em termos de História, uma nojeira total.

 

14.7.10

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “QUATORZE JUILLET”

  1. Visto desta forma, parece que os republicanos são umas “bestas” e os monárquicos uns “anjinhos”.Caro Irritado, não molde a História de acordo com os seus interesses.Na verdade, os “malandros” existem em todos os quadrantes. Esses é que devem serem perseguidos e denunciados, não o ideal do sistema.

    1. Se acha assim, está no seu respeitabilíssimo direito. Se a République não arranjou outra data para se comemorar a si própria, paciência. O 14 de Julho não deixa por isso de ser uma data em que o que se passou é torcido para significar algo que, naquilo que pode ter de respeitável, em nada nela se devia rever. É o que diz o post.No que à Marselhesa diz respeito, o que lá está, lá está. Nem há volta a dar nem há mal em lembrar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *