Contra os princípios que para aí afirma (certos ou errados, que estão vertidos nos tratados – o de Lisboa incluído – e que postulam a liberdade de circulação de capitais e outras coisas que fazem vómitos ao Dr. Soares e erisipelas ao camarada Louça, o senhor Pinto de Sousa deu uma de “patriota” ao impedir a venda de metade da Vivo aos castelhanos.
À primeira vista, o papalvo come estes ataques de patrioteirismo como se de boa coisa se tratasse.
Vistas as coisas com algum bom senso, parece que os papalvos estão, mais uma vez, a ser enganados.
A PT tem mais dívidas que a légua da Póvoa. Os 7 mil milhões dos castelhanos podiam ter um efeito altamente positivo, uma vez que os credores (os bancos) poderiam receber boa parte do carcanhol, carcanhol esse que teria, como é evidente, sonoros efeitos na liquidez bancária e na sua capacidade de apoiar a tal “economia nacional” que tanto enche a boca dos “patriotas” do governo.
O senhor Dirceu, ilustre áulico do camarada Lula, veio defender publicamente a abertura do capital da OI (a maior operadora brasileira, com 62 milhões de clientes) à PT, assim propondo uma alternativa para a massa de Castela.
Acrescentemos a isto que a UE, como muito institucionalmente já veio dizer o senhor Barroso, não está pelos ajustes e vai reagir ainda não se sabe bem como, mas sabe-se que não será com meiguices.
Postas as coisas nestes termos, o que vem aí? Pior, o que pode vir aí?
Os luminares destas ciências – que nada têm de científico – começaram a agitar-se nas cadeiras quando, de repente, descobriram que a “Telefónica”, que não queria comprar a PT mas só as acções dela na Vivo, é capaz de dar a volta ao bilhar e lançar uma OPA sobre a própria PT, OPA para a qual os mais avisados reconhecem que a golden share que recebemos dos restos do PREC não vai servir para nada.
Assim, o patriotismo saloio e ignorante, ou aldrabão e demagógico, ou meramente estúpido, do senhor Pinto de Sousa, prestou mais um relevante serviço à “economia nacional”. Em troca de não perdermos (nós não, a PT) uma posição no Brasil a troco de grossa maquia, arriscamo-nos a pôr a PT, com Vivo e tudo, nas mãos de Castela. Bonito.
Ou o senhor Passos percebe que, ao adiar a queda desta gente -para que as culpas da nossa fatal ruína sejam dela e não dele – está a cavar a sua própria sepultura, ou, mais tarde, não “herdará” senão as cinzas dos ossos que agora não quer roer.
7.7.10
António Borges de Carvalho
Apostilha – Acabo de ler por aí que o senhor Proença de Carvalho, viajante político com bilhete em aberto, veio oferecer a sua estimada ajuda ao PS e ao PSD caso estes se queiram coligar. Se ele perceber, não como o Doutor Cavaco, que pôs as coisas de pernas para o ar, que a moeda má dá cabo da boa, talvez algum juízo entre naquela cabecita de alfinete.

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