IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ANTÓNIO BARRETO

Conheci o doutor António Barreto em 1975, era ele um jovem entusiasta socialista em campanha eleitoral em Trás-os-Montes. Conheci dele os tios, Gramacho e Taborda, dois indefectíveis monárquicos. Conheci a avó, uma senhora à antiga, que já tinha ficado viúva três vezes e dominava os filhos como se fossem rapazinhos.

Depois, vi-o como Ministro da Agricultura. Assisti, como todos os que já não são novos, às vicissitudes de “lei Barreto”. Fisicamente, nunca mais o vi. Mas, como toda a gente, “vi” a sua carreira académica, o seu afastamento do PS, os seus magníficos programas na televisão, a sua independência intelectual, a sua honestidade pensante. Admirei as suas intervenções nos jornais e o seu portal sobre nós, obra de extraordinário valor. Fiquei passado de tristeza quando o vi apoiar o Sá Fernandes.

É um Homem admirável.

Vi-o, vimo-lo agora, a prestar homenagem aos combatentes no Dez de Junho oficial. Pela primeira vez e pela sua mão, a nossa indigna e tristíssima República “cedia” a contemplar os que sofreram a guerra em nome de Portugal e da sua indigna e teimosíssima República.

 

Um pequeno senão: o doutor Barreto, sendo um refractário a tal guerra, deveria, a meu ver, retratar-se, pedir desculpa ao soldado desconhecido que foi para a guerra e que até pode lá ter deixado a vida em vez dele. Não poucos foram os que lá bateram com os costados sem concordar com tal guerra. Mas foram porque era a sua vez, foram para que outros não pagassem o preço da sua fuga.

Sem diminuir Barreto, acho que deveria pensar duas vezes e completar o nobre gesto da homenagem que motivou com um pedido de desculpas aos que não foram, mas poderiam ter sido, seus companheiros de armas. E ao desconhecido que lá esteve em seu lugar.

 

14.6.10

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “ANTÓNIO BARRETO”

  1. Dei com os costados em Moçambique,apesar de não concordar com a guerra nem com o que a sustentava,mas nunca alimentei sentimentos de revolta contra quem soube safar-se.Se calhar a mim faltou-me coragem para dizer não,acomodei-me!!!

    1. Ou seja: «acomodou-se» ao conforto de uma GUERRA, numa selva a 8000Km de distância, porque lhe faltou a «coragem» de ir laurear a pevide por Paris e outros destinos inóspitos, como certos pais da nossa democracia? Que lógica fascinante, caro Tecelão.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *