Não sem a sua lógica, as eleições presidenciais começam a mostrar a sua verdadeira natureza de risível e contraproducente inutilidade.
Os maus sentimentos de Soares conhecem um dos seus já tradicionais picos. A frustração de há 4 anos impera na mente ínvia do senhor. Não digeriu a derrota, o que é ridículo. Tomou de ponta o Alegre, o que se compreende, mas não deixa de ser ridículo. Não é aceitável que dê à casca como dá. Ainda por cima com o argumento que usa: Alegre vai contribuir para a queda de Pinto de Sousa.
Ridículo. A Nação inteira, dos partidos comunistas à direita mais direita, sem excepção, anseia pela queda de Pinto de Sousa. Até o PS, ressalvadas que sejam umas centenas de boys, não deixa de estar ansioso. O drama da Nação é não saber como nem quando se vai ver livre do inacreditável cidadão. Quereria que fosse já, mas tem medo das reacções externas. Um drama. Um ridículo drama.
Se, como diz Soares, Alegre contribui para esse objectivo nacional, então a alegre candidatura, enquanto tal, é bem-vinda.
O Pinto de Sousa, esse, leva o ridículo ainda mais alto. Não há quem não saiba que tem um ódio visceral ao Alegre desde os tempos já recuados da história da co-incineração, um dos feitos de estimação do, à altura, ministro dos negócios do ambiente.
Passado mais de 4 meses da gloriosa apresentação da alegre candidatura, Pinto de Sousa vem, subitamente, descobrir que lhe dá um “apoio convicto”.
É claro que teve que recorrer, à maneira do PC, ao voto de braço no ar, contra todos os proclamados princípios. Pudera! Se o voto fosse secreto, como em assembleias civilizadas se usa quando se trata de votos sobre pessoas, outro galo cantaria. Pinto de Sousa não quis arriscar. Se ficasse sem Alegre ficava descalço.
Por tudo isto, quando se diz “convicto”, ou é aldrabão, o que é verdade, ou é ridículo, o que também é verdade. Ou as duas coisas, o que é a verdade.
O putativo candidato Cavaco Silva, depois de se ter coberto de ridículo e de opróbrio com as ridículas e absurdas desculpas que foi arranjar para aprovar a destruição do conceito de casamento, continua a fingir que anda mais preocupado com o mau estado da Pátria que com a eleição presidencial. Não há quem ainda não tenha percebido que Cavaco se levanta, passa o dia, e se deita sem pensar noutra coisa. Até nos sonhos e nos pesadelos a eleição o deve assaltar.
Não podia ser mais ridículo nem andar mais longe daquilo que se poderia pensar ser sua obrigação.
Aparece agora um movimento de contornos difusos a querer arranjar um candidato que, sem ser de esquerda, seja contra Cavaco.
Começa esta gente por se declarar católica. Nada mais ridículo. O pretexto apresentado (a promulgação da porcaria) merece o nojo de muita, muita gente, por mera convicção moral, intelectual, civil e civilizacional. Gente de esquerda e gente de direita, ateus, agnósticos, católicos, metodistas, muçulmanos, hindus, budistas.
Os tais católicos, que põem o rótulo para aparecer na política, são parvos ou ridículos. Ou andam a fazer fogo de vista, que é o mais provável. Ridículo.
Uma ressalva. O Dr. Santana Lopes declara-se contra Cavaco e confessa que gostava que outro candidato lhe fosse às canelas. Com boas razões para tal. Não passa pela cabeça de ninguém que o Dr. Santana Lopes pudesse apoiar Cavaco, o mais violento dos seus inimigos, o homem da “moeda boa e da moeda má”, o homem que assistiu sem um protesto ao miserável golpe de Estado anti-democrático do seu antecessor, o homem que, como algumas tribos africanas, desconhece a palavra gratidão.
Neste particular, o ridículo fica por conta do ilustre comentador Dr. Morais Sarmento. Sem conseguir conter a ridícula inveja que tem de Santana Lopes, aproveita para classificar a alternativa a Cavaco como “um epifenómeno peripatético”. Qualquer coisa me diz que este ilustre comentador não sabe, nem o que é um epifenómeno, nem o que quer dizer peripatético. Era preciso dizer qualquer coisa contra Santana, e foi do epifenómeno peripatético que o homem se lembrou, como se podia lembrar de outra parvoíce qualquer. Um dicionário seria um óptimo presente para este senhor.
No fundo, o problema que fica é o de saber se morder nas cavacais canelas vale a pena, mais que não seja pela honra do convento, ou se é melhor não perturbar a eleição de homem a fim de não arriscar ver o Palácio Real de Belém ocupado por um tão sinistro fala-barato como o senhor Alegre, ainda por cima às ordens do Louça.
4.6.10
António Borges de Carvalho

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