O IRRITADO não cabe em si de contente.
Porquê?
Resposta: a inenarrável Câmara costo-roseto-fernandasca vai “requalificar” a placa central da Praça de Londres!
É o que reza um panfleto de publicidade não endereçada que, ilegalmente, foi metido na caixa do correio do IRRITADO.
A “intervenção” “tem uma duração prevista de execução” – ignorante pleonasmo – “de quatro meses”, “e vai transformar, de uma forma global e integrada”, a dita placa. Ninguém saberá dizer o que significa fazer umas jardinagens de (“uma” está a mais) “forma global e integrada”. Mas demos isso de barato.
Importante é saber que “a intervenção vai aumentar a consciência interna do jardim”. Sabem o que é a “consciência”, ainda por cima “interna” de um jardim? Eu também não. Se fosse “consistência” ainda merecia um esforço de interpretação, sobretudo para inconscientes como o IRRITADO.
Mas há mais. Num gesto verdadeiramente inédito e inovador, a formidável câmara vai “implementar” – estranho inglesismo, sobretudo quando aplicado ao caso – relvados! Não, meus senhores, a CML não vai semear relvados, ou plantar relvados, vai implementá-los! Formidável inovação, gloriosa novidade, fantástica tecnologia! Mais, o relvado da câmara terá “capacidade de carga”. Não se sabendo o que este primor quererá dizer, é legítimo pensar que os propagandistas da obra querem significar que o povo poderá andar em cima da relva, ou deitar-se nela, coisa que, igualmente, constitui uma novidade universal, digna do Science Digest.
Vai também ser criado um “efeito de interioridade”, dizem eles, o que muito anima o munícipe. Munido da “consciência interna” e do “efeito de interioridade”, mais facilmente poderá o munícipe interiorizar a excelência das camarárias benesses.
Vejam bem:
O ciclópico esforço da edilidade consubstanciar-se-á no plantio de “4 (quatro!) novas árvores”, no transplante, ó maravilha, de uma palmeira de médio porte (uma palmeira de médio porte!!!) e de um “arbusto de grande porte” (um arbusto de grande porte!) no arranque, que extraordinário feito paisagístico, de 2 (duas!) “árvores de pequeno porte com problemas fitossanitários” – extraordinário contributo para a fitossanidade das massas.
In fine, que ternura, a CML, “lamenta eventuais incómodos” e “solicita a maior compreensão dos Munícipes”, agora contemplados com maiúscula.
Tudo isto em folhas de papel couché de 40 gramas, impresso a duas cores, coisa profusa e abusivamente metida na caixa do correio de cada um.
Convenhamos que, tratando-se de tão ciclópicos trabalhos e de tão gigantesco melhoramento, é de enaltecer o procedimento.
Cada um publicita o que é capaz de fazer, e escreve como é capaz de escrever.
1.6.10
António Borges de Carvalho

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