É bonito ver que o companheiro Passos Coelho não se dedicou à caça às bruxas. Pelo contrário, prometeu – e está a cumprir – chamar à ribalta do partido os que se lhe opuseram em eleições internas. Muito bem.
Chamar o Dr. Rangel para presidir ao Conselho Nacional, onde, por certo, rangerá em conformidade, parece bem achado.
Já encarregar o Dr. Branco para presidir à redacção do novo programa do PSD, parece coisa de estranhar.
É que, sendo Branco tão PSD como Coelho, este perfilou-se, perante o partido e o país, com ideias bem diversas das dele. Branco representa a continuidade de Manuela, Coelho passou dois anos a opor-se a tal linha, de quem disse tanto mal quanto podia.
Uma coisa é tratar de unir o partido, outra é meter no mesmo saco quem pensa assim e quem pensa assado. A sensação que fica é que Coelho não tem nada na cabeça e que, ao contrário do que prometeu, qualquer coisa lhe serve. Desde que cale as vozes antes que desatem aos gritos.
Coerência é uma coisa, abrangência é outra.
8.4.10
António Borges de Carvalho

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