Afinal, parece que o Estado (ou o governo, que é o que existe) vai decretar a falência do BPP.
Quantos dos nossos milhões gastou entretanto, para manter a coisa? Não sei. Foram muitos. Em vez de pôr em acção os instrumentos legais de protecção dos depositantes no já longínquo momento em que se chegou à conclusão que o banco não tinha condições para honrar os seus compromissos, o governo nomeou uma administração nova e manteve em caríssimo banho-maria aquilo que já toda a gente, menos o governo, sabia que não tinha salvação.
A esquerda acusa o governo de “proteger os capitalistas”. A direita, estúpida como um comboio, cala-se.
As medidas do governo nada têm de liberal, coisa em que nem a esquerda nem a direita se revêem.
Se o negregado liberalismo – que não tem nada a ver com “a protecção dos capitalistas” – tivesse voz, então o banco já teria falido há que eras, os depositantes já teriam recebido aquilo a que tivessem legal direito através do fundo que para tal existe, a administração da falência já teria produzido os seus efeitos e o assunto, pelo menos do ponto de vista bancário, estaria morto e enterrado.
Como os princípios básicos do liberalismo não foram respeitados, o erário público gastou não sei quantos milhões e os depositantes continuam aos gritos. O governo, olhando-se ao espelho da sua alta competência, acaba por fazer o que deveria ter sido feito, mais eficaz e mais barato, há para aí dois anos.
O caso do PBN ainda é pior. Mais caro. Mais ineficaz. Mais estúpido.
Enfim, consequências da luta contra o “neo”-liberalismo que comanda os nossos destinos, sob o alto patrocínio do Dr. Mário Soares e o terno olhar da esquerda e da direita.
7.4.10
António Borges de Carvalho

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