O camarada Chávez anda à procura da rolha.
Passo a explicar.
Habitualmente, todos os males da Venezuela e do mundo são culpa do inimigo externo, sendo o inimigo externo os EUA, o capitalismo, o imperialismo, os chavões do costume. Até o terramoto do Haiti foi fabricado pelos Estados Unidos que, segundo o tirano da Venezuela, têm uma máquina própria para o efeito.
Desta vez, a coisa é mais difícil que de costume, uma vez que o camarada ainda não arranjou argumentos para acusar da seca os habituais suspeitos. A seca está a agravar a crise energética do maior produtor de petróleo das Américas, crise surgida bem antes da dita seca, como fruto maduro das nacionalizações e de outras ditatoriais idiotices.
Vai daí, com as centrais térmicas a meio gás, com as hídricas sem água, com as linhas de transporte arruinadas ou inexistentes, com o respeitável público a receber energia aos bochechos, de que havia o camarada Chávez de se lembrar? Nem mais nem menos que cortar a energia às empresas! Genial.
Assim: o governo bolchevista decreta a quantidade de energia que cada empresa pode gastar. A quem ultrapassar tal quantidade, o governo corta o fornecimento (um dia). Se reincidir, três dias. E assim por diante. Já foram fechadas 80 empresas, as quais, mesmo impedidas de laborar.têm que pagar salários, etc., É evidente que a seca (as “alterações climáticas”, segundo o governo) tem relativamente pouco a ver com o assunto. A causa está na total negligência do Estado bolchevista em prever os consumos, construir e/ou manter centrais térmicas para as quais dispõe de combustíveis devidamente nacionalizados para evitar que os imperialistas ganhem dinheiro com o ouro negro da Venezuela, construir/manter uma rede de distribuição de alta tensão, etc., tudo coisas que o tenebroso capitalismo proporcionou com fartura durante décadas.
As previsões são negras. Pensa-se que, a partir de Maio, se não antes, as restrições se tornem insustentáveis.
Que importa? Haverá sempre um inimigo externo a “justificar” as asneiras do regime. Quando este entrar em colapso, também não importa, as forças armadas “bolivarianas” tratarão do assunto. Prenderão os “capitalistas” e os “reaccionários”, despejarão uns “inimigos do povo” no Pacífico e fundarão uns campos de concentração para os que sobrarem.
A clássica revolução socialista, que triunfará, como em Cuba et alia.
Daqui a trinta anos, morrerá o ditador. Os seus sucessores acabarão também por cair da tripeça. Então ver-se-á ressurgir o capitalismo na sua mais negra expressão, como na Rússia.
Lá para meados do século, talvez a Liberdade volta à Venezuela.
Para já, o regime tem os seus apoios: os senhores Amadinejá, Càdáfi, Putin, Castro e Pinto de Sousa, entre outros da mesma igualha. Se estes caírem, ainda ficarão, para lavar e durar, grandes líderes no género do Mugabe, do tipo da Somália, do Bin Laden e de quejandos.
Tudo boa gente.
24.3.10
António Borges de Carvalho

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