IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PALERMICES, SALOIICES E ALDRABICES

 

Um brasileiro qualquer, parece que perito em mudar discos em locais nocturnos, veio a Portugal.

Dizem as crónicas que o tipo, coitado, parece que anda a dormir com a Madona.

O fulano foi apoteoticamente recebido em Portugal. À chegada ao aeroporto, havia meninas meio histéricas, polícias, guarda-costas, assessores e secretários, ou coisa parecida. Os jornais, as televisões, as rádios, deram ao assunto o “merecido” destaque. As capelinhas enchem-se de gente para ver o camarada mudar discos.

 

Antes de andar metido – diz-se – nos lençóis da cinquentona, lençóis por onde – diz-se – já passou uma multidão de meninos e meninas, rapazes e raparigas, senhoras e senhores, o rapaz era tão conhecido como o careca do quinto esquerdo.

Agora, é uma celebridade. Move as gentes como move os discos, anda com as cabecitas à roda, dá entrevistas, passou a cineasta, tem direito escolta.

 

Nos demais países, não sei o que se passa. Se é como cá, não dou a ponta dum chanfalho pelo futuro da civilização.

 

*

 

Por falar em civilização, ocorre-me ao bestunto o parque de estacionamento da Praça de Touros do Campo Pequeno.

Durante as horas de trabalho a coisa está a abarrotar, o que quer dizer que há inúmeras empresas que dão aos funcionários o fringe benefit de um lugarinho à borla.

À noite, há lugares com fartura.

Nos dias em que há espectáculos na Praça, os arrumadores, quando necessário, arrancam os pilaretes da Câmara para pôr centenas de carros em cima dos passeios, em frente dos portões, nas esquinas, em segunda fila, um fartote. A malta bate-se por um sítio qualquer onde meter a carripana.

No Parque, há lugares com fartura, quase como nas noites normais.

 

Quer isto dizer:

 

a)    Que os lisboetas não passam de um bando de selvagens;

b)    Que a Câmara se está nas tintas para os moradores que lhe pagam o estacionamento, tendo para tal que perder um dia por ano à conta da EMEL e das suas papeladas;

c)    Que a polícia é uma máquina cara que não funciona, a não ser quando não é precisa;

d)    Que os donos do parque são uns alarves, porque não pagam a uns polícias para empurrar os carros lá para baixo e para multar os que andam cá em cima a perturbar a vida de quem quer dormir e que, teoricamente, tem direito, outorgado pela EMEL (um organização de tipo soviético), a um lugar junto aos passeios;

e)    Que não há nada a fazer, pelo menos enquanto a Câmara estiver entregue a quem está;

f)      Que, se a Câmara estivesse entregue a outros, se calhar era a mesma coisa, uma vez que os polícias foram feitos para passear de carro durante o dia, para fazer umas reclamações sindicais e para, tal como a Câmara, se borrifar no cidadão comum.  

 

8.3.10

 

António Borges de Carvalho


2 respostas a “PALERMICES, SALOIICES E ALDRABICES”

  1. Bem percebo que o Irritado esteja irritado, mas o que quer? Como disse um chauffeur de taxi há tempos, quando achava que o melhor caminho era um e lhe apontei outro melhor: “Pois é, só todos juntos é que sabemos tudo!” – há (sempre houve e haverá) pessoas que gostam de ópera e outras de muzak (música de elevador).Ainda bem que assim é. Depois da enchente com o tal cavalheiro que frequenta o círculo mais íntimo de Madonna, certamente o aeroporto estaria menos atravancado de gente se por cá passasse o Brendel na sua tournée de despedida. Cabe a cada qual escolher os seus ídolos segundo a sua sensibilidade e conhecimento.Para que o Irritado não julgue que a crise de valores se limita a Portugal (basta lembrar o que Stefan Zweig conta da Viena do seu tempo, em que os heróis de toda a juventude eram tenores e poetas, ao invés dos Figos de hoje) lembro-lhe que na passagem do milénio um diário inglês procedeu à sondagem sobre o melhor músico do milénio e em primeiro lugar ficou… John Lennon! Bach, um verdadeiro espanto como nunca haverá outro, capaz de improvisar fugas a um tema, em várias vozes? Não. Mozart, um prodígio com ouvido absoluto (reconhecendo qualquer nota musical, mesmo isolada), inultrapassável em todos os géneros que abordou, fossem concertos, ópera, sonatas? Nunca.Liszt, que lia correctamente à primeira vista qualquer partitura e a executava como ninguém? Isso é que era bom! Bom mesmo era Lennon. É como considerar Aleixo superior a Camões. Mas as quadras ao gosto popular sempre foram mais fáceis de abordar que o verso decassílabo.Sobre o caso do estacionamento no Campo Pequeno, as suas 6 respostas estão todas elas correctas. E daqui a 50 anos continuarão a estar, infelizmente.Leitão de Barros bem se fartou de pregar, há 50 anos, nos seus “Corvos” e o resultado está à vista.

  2. Não há nada a fazer enquanto a Câmara estiver entregue a quem está…até porque este presidente não sabe fazer nada

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