IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SINAIS DE ATRASO

 

Fico siderado com as continuadas presenças do doutor Carvalho da Silva na TV, defendendo as suas greves e as suas teses. O homem é jeitoso, tem um argumentário lógico e é servido por uma retórica cordata e suave. Impinge, de maneira sofisticada, quase académica, as mesmas balelas que o chefe Jerónimo propagandeia de forma primitiva, é certo, mas não menos jeitosa.

Cheios de alegadas vestes democráticas, mais ou menos os mesmos raciocínios são produzidos pelos intelectuais do bloco de esquerda. Ainda ontem vi aquela morenaça que é deputada do bloco no Parlamento Europeu discorrer, toda boneca, sobre os malefícios do capitalismo e a requintada arte de fazer omeletas sem ovos.

Vendo as coisas assim, dir-se-á que nada disto tem importância de maior. O PC e o BE, coitados, não têm culpa de partir de premissas irreais, quase oníricas, e de não saber(?) que as suas receitas, divorciadas que estão da natureza humana, têm como únicas consequências de relevo – historicamente provadas – a ditadura e a miséria.

Pela Europa fora, estes tipos de ideias são hoje, ou odiadas por quem lhes experimentou os resultados, ou residuais, vivendo em banho-maria no seio de pouco representativas franjas da opinião pública.  

Em Portugal, o problema é que tais ideias atingem quase vinte por cento do eleitorado, sem contar com os resquícios delas que ainda fazem mossa no PS, nem com o generalizado acriticismo de quem diz – ainda timidamente! – representar a direita, a democracia liberal, o capitalismo, o liberalismo económico e social, o conservadorismo, como se não fosse o poder libertador destas ideias, na ausência do qual jamais houve Liberdade, o factor número um do sucesso, hoje em risco, da Europa.

O nosso atraso, para além de económico e social é, por isso, um atraso de mentalidades, o atraso de um povo que, bem lá no fundo, ainda se não libertou da cartilha que lhe venderam à pressa depois do 25 de Abril. Ao confundir Democracia com socialismo, liberdade com socialismo, progresso com socialismo, república com socialismo, ao vender a peregrina e estúpida ideia que a liberdade é de esquerda só porque quem no-la tirou foi um desvio autoritário da direita, acabámos por ficar, em termos culturais, como que amarrados aos preconceitos que nos vêm arruinando, e cada vez mais depressa.

 

*

 

Quando, em São Tomé e Príncipe, o socialismo totalitário cedeu terreno a alguns sinais de democracia, o grande educador das televisões portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa foi, a convite do governo local, encarregado de elaborar uma nova constituição para o país. Sem a mais leve sombra de conhecimento da realidade africana em geral e da santomense em particular, o distinto académico impingiu às pobres gentes um regime semi-presidencialista, cujos ominosos resultados estão à vista de todos. Nos países africanos, o culto idiossincrático do “mais velho” imporia um regime presidencial, o único que teria hipótese de ser pacificamente aceite pela generalidade dos cidadãos.

Na Europa Ocidental passa-se exactamente o contrário. O avanço da cidadania implicou que, à excepção de Portugal e da França, todos os regimes sejam parlamentares.

E é em Portugal que Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado, é certo, por uma plêiade de pensadores que já não sabem o que hão de pensar ou de propor, vem defender, agora, a presidencialização do regime!

Ou seja, em vez se entender que Portugal é, de facto, um país europeu, procura-se empurrá-lo, de jure, para uma africanização pelo menos idiota. A obra desta gente está, desgraçadamente, a “passar” na opinião pública. Mais de 50% dos portugueses, segundo uma sondagem publicada, acham que o presidente da república devia ter mais poderes.

Mais um sinal do endémico atraso da nossa sociedade, para o qual se não vê saída.

 

E daí? Se calhar os defensores do presidencialismo têm razão: Seremos, mesmo, um país europeu? Ou ficávamos melhor em África, desde que o Marcelo não fosse lá vender constituições?

 

7.3.10

 

António Borges de Carvalho


3 respostas a “SINAIS DE ATRASO”

  1. Carvalho da Silva, sempre cheio de princípios, lutador “contra a corrupção e contra o compadrio”, foi o primeiro a fazer engolir o abominável sapo costa aos seus apaniguados nas recentes eleições para a Câmara de Lisboa. Morrem todos de medo de Pedro Santana Lopes…Qt ao Professor, quem não o conhecer que o compre…

    1. O pior é que andam para aí uns tantos a querer comprá-lo!

  2. Concordo em absoluto que o nosso atraso não é só,nem principalmente económico.É cultural e de mentalidades, moldadas por processos de nos marcaram de forma indelével.Tivemos a santa inquisição e uma ditadura de inspiração fascista que de mãos dadas com uma igreja reaccionária,estupidificaram este povo.É curioso verificar que somos o unico país da Europa ocidental com 20% de simpatizantes da estrema esquerda,e só não serão mais porque o PS tem servido de tampão.A que se deve tal situação?Ao Carvalho da Silva?Ou a uma uma direita estupida,cuja base social de apoio é em grande medida os néscios patrões,que alarvemente o que melhor sabem fazer é explorarem quem lhes enche o bolso de dinheiro?Assacar ao 25 de Abril todos os males do nosso atraso,alem de redutor,não é sério!!!

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