ELE HÁ COISAS…
7 respostas a “ELE HÁ COISAS…”
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“Em 2008, mais de três quartos de tal dívida estavam já nas mãos de estrangeiros, a quem o Estado paga por ano, só em juros, nada menos que 2,6% do PIB”.Não foi só por obra e graça do Sousa, a Ferreira Leite também teve a sua quota parte, por sinal grande.
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Meu caro IRRITADO,Leio os seus posts com continuado deleite. É um descanso estar do lado da razão, por muito que os XXI’s se alvorocem com isso. Se forem mentalmente honestos, tarde ou cedo hão-de concordar consigo.Não é dizer mal por dizer mal, é porque infelizmente não se pode dizer bem.O Ribeiro Telles, um homem simpático e de bom trato (gosto sobretudo dos seus filhos), politicamente tem comportamentos bem díspares. Nas eleições de Santana contra Soares “leiloou” o seu apoio a um ou outro consoante lhe renovassem o contrato (já caducado, mas recebendo ele ainda a avença) para conservação e alindamento dos jardins da cidade. Como de vez em quando os torpes têm azar, optou por apoiar Soares e ficou “descalço” em relação ao eleito Santana.Sá Fernandes já é de outro calibre. É admirável que um sujeito que andava a roubar carros e vender droga na Avenida de Roma, que foi preso pela polícia depois de troca de tiros e tudo, possa hoje botar faladura sobre a cidade. O mano Ricardo conseguiu que em julgamento se considerasse que ele ia dentro do carro mas não sabia que era roubado nem que tinha droga, sendo que os outros ocupantes, certamente melhor informados sobre essa matéria, foram malhar com os ossos na cadeia.O Marcelo é um caso ainda diferente. Tem coisas de um Talleyrand, tão inteligente como cínico. O que ele fez com o “cunhado” Pais do Amaral é simplesmente abjecto (digo “cunhado” porque o Marcelo não é casado com a Rita A. C.).Perdoe-me que demore mais alguns parágrafos, mas talvez valha a pena recordar. Procurava ontem um assunto no meu diário e topei com esta pequena notícia do Jornal de Negócios do dia 9 de Fevereiro de 2009. Como o nosso grande amigo Tecelão costuma tomar as dores sobre a “boa” governação do Zézito, aqui tem para se entreter a descobrir decência e utilidade nesta atitude socratiana.“O afã mediático do Governo não cessa de nos surpreender. Agora, as inaugurações das estradas tornaram-se eventos de grande projecção, pagos em ouro: meio milhão de euros para uma tenda com 120 pessoas. Nem nos casamentos de rajás se paga 4 mil euros por convidado…O dinheiro não é apenas para impressionar quem está dentro da tenda, é sobretudo para quem está fora dela. Inclui publicidade, carros de exterior, sítios de internet, vídeos, etc. Mas não deve haver crise para os fornecedores destes festins televisionados habitados por ministros: 60 mil euros para montar uma tenda, 50 mil euros para um sítio na internet, 25 mil euros por um (um!) vídeo, 300 mil para a agência criativa…Quem está interessado em pagar estes preços para promoção alheia?! Ninguém: só obrigado. Essa é a beleza desta história: o ministério organiza e diz à Estradas de Portugal que mande a conta para as concessionárias que ganharam as estradas. Estas comem e calam, pagando directamente aos fornecedores. A Estradas de Portugal, que tem vergonha na cara e um presidente demonstradamente anticorrupção, não recebe nem paga. E o Governo não se compromete porque formalmente não contrata nem despende, só aparece na fotografia. Que rica fotografia.”Agora as estradas acabaram, não foi? É pena porque também foi muito lindo quando, no tempo de Guterres, o ministro Cravinho se deslocou ao Norte, com grande comitiva, todos muito eficientes, muito zelosos, muito apressados, para inaugurar… 500 metros de estrada. Não era o barbeiro de Sevilha que se apressava a rir de tudo, com medo de ser obrigado a chorar?
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Ó homem, lá porque Dante o “ASSUSTOU” com o inferno, eu não estou de “chicote” na mão. Não sou o seu “diabo à solta”!!! Sossegue.Eu apenas disse: “…a Ferreira Leite também teve a sua quota-parte, por sinal grande”.Ou será que aqui “não é estar ao lado da razão”? É o caríssimo “intelectualmente honesto”? Ou é “mais um…”?É que, por mais que duvide, eu sou totalmente honesto, não só “intelectualmente”.
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Constato com surpresa que afinal o XXI não é gente do povo, pois este ensina aos seus filhos que “elogio em boca própria é vitupério”. O bom senso aconselha também que desconfiemos sempre de explicações não pedidas, porque em regra não passam de declarações que vêm camuflar o que quer que seja. Acho que já aqui disse que o primeiro sinal de inteligência é não a ostentar e isso vale para as restantes virtudes, como seja a honestidade, intelectual ou outra. Tente não ser como o Vara, que confessava numa recente entrevista que a sua amizade com Sócrates tinha ajudado à nomeação para administrador da CGD, e para se justificar desse feio conluio não resistiu a considerar que tinha sido “uma boa aposta”, entoando um elogio a si mesmo à falta de quem o fizesse por ele, tantos são os rabos-de-palha na sua carreira.Sobre os números do défice, vale o consabido aforismo de que os números, quando bem trabalhados, bem “apertados”, acabam por “confessar” tudo o que quisermos.Se não percebeu ainda que Sócrates, desde o dia em que começou a governar e inventou a história do défice-maior-do-que-ele-coitado-alguma-vez-imaginara para faltar à promessa que lhe valeu a eleição e aumentar os impostos, se ainda não percebeu que ele é desonesto e governa por processos desonestos, então o XXI poderá ser tão probo como se descreve – mas não é tão esperto quanto se julga.É verdade que foi Cavaco Silva (melhor dizendo, o partido impôs-lhe isso) quem começou a aumentar o número de funcionários do estado, mas foi com Guterres que as contas públicas entraram em descontrolo e agora dispararam exponencialmente. E se há dois anos o “freedom day” (dia do ano em que deixamos de trabalhar para o Estado e começamos finalmente a ganhar para os nossos gastos) era a 21 de Maio, tenho curiosidade em saber em que data do Outono ele irá calhar, quando estivermos a pagar o TGV, aeroportos, “3ªs travessias” e outras megalomanias do homem que há poucos anos não ia além de construir umas casas horrendas lá na terra dele
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“O bom senso aconselha também que desconfiemos sempre de explicações não pedidas, porque em regra não passam de declarações que vêm camuflar o que quer que seja.”Mea culpa?
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Noto que o XXI é esforçado leitor, mas parece – digo “parece” – padecer desse novo mal que os estudiosos nomeiam como “ileteracia funcional”, ou seja, a incapacidade de processamento da informação escrita na linguagem quotidiana.O excerto que transcreve refere-se, como qualquer outra pessoa entenderá, à sua afirmação de se considerar uma pessoa honesta, sem que ninguém tivesse dito o contrário.Ainda bem que o restante não lhe merece comentários, certamente por ter entendido o que escrevi e ter concordado. Antes assim. Sendo portanto tido, por nós e ele próprio, como um ser íntegro, estamos de acordo no essencial: que os nossos governantes não o são.
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Nessa “fina ironia” apenas a conclusão se aproveita: que os nossos governantes não são íntegros.Quanto ao resto, talvez um dia estejamos “sentados à beira rio”… a relembrar.
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