Já muito se disse e escreveu, muito se dirá e escreverá, sobre as “memórias” da Excelentíssima Senhora Dona Carolina Salgado. Pela minha parte, já pus o fedorento assunto no caixote do lixo, sem ofensa para o dito caixote, nem para o restante lixo.
Uma nota, porém, e bem inquietante, merece o que veio a lume sobre a reacção de Sua Excelência o Procurador Geral da República. Recém empossado, o senhor parece não ter aprendido nada com os problemas do seu ilustre antecessor, coitado, que metia os pés pelas mãos cada vez que vinha a público, armado em político.
Excitadíssimo com o livro da alternadora, o PGR tratou de pôr as suas tropas em campo, o que se podia compreender, se ao caso fosse dada a dimensão que merece, ou reconhecida a natureza que tem. Mas não. Sua Excelência tratou de publicitar, urbi et orbe, as suas decisões, bem como as movimentações das tropas no terreno. Ou seja, ao contrário da contenção e da discrição que deveria caracterizar o seu trabalho, o PGR vem para os jornais fazer a sua publicidadezinha.
Mau começo, Senhor Procurador. Não tarda está na fossa, como o outro.
António Borges de Carvalho

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