IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TROTEZEQUISMO HABITACIONAL

 

Ontem à noite, o ilustre camarada Louça brindou-nos com mais um arquiepiscopal discurso, generosamente oferecido ao povo pelos senhores Crespo e Teixeira.

Entre outras maravilhas da ciência de fazer omeletas sem ovos, coisa em que é perito, o líder comunista descobriu a maneira de “reabilitar” (é o que está a dar) os edifícios miserabilizados por 99 anos de república – já lá vão três repúblicas e a coisa está cada vez pior – e quase outros tantos de controlo estatal das rendas. Comovente foi a preocupação do rapaz, se calhar por etérea inspiração do Trotezequi, com a vida e os rendimentos dos senhorios.

Vejamos: partindo do princípio de que há milhares de senhorios que não têm dinheiro para fazer obras, o grande filósofo Louça propõe que o Estado pague as obras e que fique a receber as rendas até se ressarcir do que adiantou.

O brilhantismo do louçónico raciocínio ofusca qualquer outro pensamento a respeito da questão. O problema é que os estúpidos como eu ficam-se por perguntas cretinas:

– Porque é que os tais senhorios não têm dinheiro para fazer obras?

– Não será o secular e tão republicano como anti-social congelamento das rendas que não lhes garante o rendimento para tal?

– Quer o ilustre extremista da nossa burguesia bem-pensante responder-nos se, na sua abalizada opinião, os senhorios que têm dinheiro proveniente do seu trabalho não têm direito ao pagamento das obras pelo Estado e devem trabalhar para, em vez de dar bem-estar à família o dar aos inquilinos?

– E os tais que “beneficiarem” do apoio do Louça, vão ver as rendas aumentadas para pagar ao Estado, quando o Estado sempre se recusou a aumentá-las para eles, ou os “autoriza”, após requintados sadismos burocráticos e fiscais, fazer os aumentos em dez anos, a 50 euros por ano?

– Ou as rendas ficam na mesma e o valor das obras será pago ao Estado pelos tetranetos dos actuais senhorios?

– Se as rendas entrarem no esquema psicótico dos anormais do PS, o dinheiro que, na opinião de Sua Excelência, o Estado vai "adiantar" para as obras não é apenas uma gota de água no oceano do dinheiro que o Estado deve às pessoas após noventa e tal anos de esbulho republicano?

– Então as pessoas que foram roubadas pelo Estado, que viram os seus bem inviabilizados, arruinados e destruídos pelo Estado, em vez de receber o que o Estado lhes roubou, pelo menos uma parte disso, ainda vão ter que o pagar ao Estado?

O que uma mente como a do Louça é capaz de conceber está para além da compreensão de qualquer inteligência minimamente normal. O homem deve achar-se um génio. Mas não o é. Acham que é doido? Também não é. O homem é colectivista, estatista, socialista, revolucionário, comunista. As suas propostas não vêm das meninges, vêm da cartilha. O homem vê na degradação urbana uma forma que a “história” lhe oferece para colectivizar a habitação, para dar uma machadada na propriedade privada, para aumentar as garras do Estado a fim de, no luminoso amanhecer de algum “amanhã que canta” ele, dono de todo o poder, declarar a habitação como um direito “de todos”, do que decorre a “justiça revolucionária” da sua “apropriação colectiva”. Quem interpretar o que o homem diz de outra maneira, ou é parvo, ou não sei o que seja.

6.7.09

António Borges de Carvalho      


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *