Diz-se, não sei porquê, que todos os diabos têm sorte.
Não darei ao senhor Pinto de Sousa a honra de lhe chamar diabo (o homem nem para pobre diabo serve), mas lá que tem sorte, tem.
Toda a gente tinha já percebido que o homem anda com o rabo entre as pernas, borradinho de miúfa, e que a “determinação”, a “coragem” e outros mitos construídos à sua volta tinham ido pelo cano abaixo por causa das “europeias”. E eis que o Pinho lhe dá, com os cornos, a oportunidade de recuperar boa fama perante a opinião pública.
Assim, talvez ele ache que a malta volta a acreditar nas suas excelsas qualidades: logo a seguir às cornadas do Pinho, sem hesitações, o homem decidiu! Fantástico, não é? O tipo andava há mais de um ano à procura de uma justificação qualquer para dar um chuto ao Pinho, e não é que o próprio lhe fornece a taurina oportunidade! Genial!
Tem sorte ou não tem? Cuidado…
5.7.09
António Borges de Carvalho
ET. Telegramas
A Sua Excelência o Presidente da República Democrática da Coreia do Norte: Pionguiangue
Caro Kim Jonguinho
Como sabes, tenho sido sempre um fiel defensor do regime do senhor teu Pai e teu. Razão porque, neste momento, recorro à tua enorme inteligência e sentimentos democráticos, para te perguntar o que devo fazer contra um tipo que me chamou cabrão.
Teu
Bernardino
*
A Sua excelência o Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Bolchevista:
Lisboa, Portunguiangue
Meu muito querido amigo e camarada
Cá na minha terra, a democracia não se compraz com coisas dessas. Antes de mais, aqui não há oposição, só há poder. Um poder tão democrático que, como bem sabes e admiras, toda a gente o aceita. Por isso, é-me difícil dar-te um conselho. Se te deixasses de panos quentes e tratasses de, a bem ou a mal, tomar o poder, talvez fosse mais simples. Olha, por exemplo, se isso de te chamarem cabrão fosse cá no meu país, o engraçadinho a estas horas já estava a fazer tijolo. Era enforcado em público, para gáudio e temor do Povo. Vê mas é se és coerente e tratas de agarrar o poder, como fizeram tantos camaradas nossos.
Por mim, neste momento, nada mais posso fazer que mandar-te um míssil com livro de instruções, para ajudar a resolver o assunto. Queres?
Viva o socialismo!
Teu sempre fiel
Kim

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